Decisão preocupa órgãos de defesa da livre imprensa

Entidades ligadas à defesa da liberdade de expressão lamentaram na terça-feira, 29, a decisão da Justiça argentina que determinou limites para a atuação das empresas de comunicação no país.

Murillo Ferrari - O Estado de S. Paulo,

29 de outubro de 2013 | 23h40

O presidente da Associação Internacional de Radiodifusão (AIR), Alexandre Jobim, acredita que o governo argentino tem construído um "verdadeiro colonialismo" nos meios de comunicação do país. Para Jobim, o governo Kirchner está criando um grupo de veículos estatais e paraestatais "amigos". "Só nos últimos dez anos, a verba de publicidade para esses veículos kirchneristas cresceu 1.300%", lamentou.

"O maior problema desses dispositivos da lei é que eles tinham uma alvo certo: desestruturar grupos independentes que se opunham ao governo Kirchner", disse o presidente da AIR, que representa mais de 15 mil veículos de comunicação nas Américas.

O presidente da comissão de liberdade de imprensa da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol), Claudio Paolillo, disse que a entidade "respeita a decisão da Justiça argentina, mas manifesta discrepância com algumas passagens da determinação, levando em conta que a sentença habilita a presidente Cristina a aplicar seu objetivo político de despedaçar o Grupo Clarín". Paolillo destacou que o "Clarín tornou-se nos últimos tempos um dos poucos lugares que acolhem jornalistas não alinhados com o governo". O representante da SIP afirmou que a decisão teria de ter levado em conta "o contexto de pressões que o governo faz sobre empresas e jornalistas".

O diretor executivo da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira, considera a Lei de Mídia uma iniciativa, entre um conjunto de ações, para intimidar o Grupo Clarín. "Nosso entendimento é que o defeito dessa lei é ela ter um objetivo claro: atingir o Grupo Clarín em virtude do trabalho crítico e independente em relação ao governo." / COM ARIEL PALACIOS

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