Mark Abramson/The New York Times
Mark Abramson/The New York Times

Decisão temporária interrompe deportações de famílias reunificadas nos EUA

Juiz de San Diego ordenou que governo Trump suspenda até o dia 23 sua política de devolução de imigrantes para que as famílias tenham tempo para decidir se retornam a seus países de origem ou se iniciam um longo processo judicial em busca de asilo político

O Estado de S.Paulo

17 Julho 2018 | 15h22

LOS ANGELES, EUA - Um juiz federal de San Diego, na Califórnia, suspendeu na segunda-feira as deportações das famílias de migrantes em situação irregular recentemente reunidas, após terem sido separadas pelas autoridades ao cruzar a fronteira.

+ Reportagem Especial: Forasteiros no próprio país

Dana Sabraw, que ordenou a entrega de até 3.000 crianças a suas famílias antes de 26 de julho, respondeu a um recurso de amparo da ONG União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, em inglês) que manifestava preocupação com supostos planos do governo de expulsar do país essas famílias sem o devido processo lega.

O Departamento de Justiça tem até 23 de julho para responder a esta demanda - e, até lá, deve suspender as deportações. A argumentação da ACLU acolhida pelo juiz pedia que os pais em situação iminente de deportação tivessem ao menos uma semana para decidir se deixariam seus filhos desacompanhados nos EUA para que estes tentassem conseguir asilo ou abrigo em processos separados.

Estima-se que entre 2.500 e 3.000 crianças tenham sido separadas do adulto com o qual cruzaram irregularmente a fronteira como parte de uma política de "tolerância zero" impulsionada pelo presidente americano, Donald Trump, que chegou ao poder com um duro discurso anti-imigrantes.

Juiz dá 72 horas para governo americano reunir crianças brasileiras separadas dos pais

Nesta terça-feira, 17, advogados destas famílias de imigrantes afirmaram que a decisão de Sabraw lhes daria tempo para trabalhar nos casos, apesar de muitos ainda lutarem para ter acesso aos clientes. 

"(A ordem do juiz) deu mais tempo para descobrirmos o que a reunificação significará para nossos clientes", afirmou Beth Krause, que trabalha para Legal Aid Society's Immigrant Youth Project, com sede em Nova York.

 

Em outra decisão semelhante, mas em uma caso separado, a organização nova-iorquina conseguiu nesta terça uma ordem temporária que proíbe o governo de mudar a localização de dezenas de crianças separadas dos pais sem um aviso formal pelo menos 48 horas antes.

A decisão também ordena que o governo americano informe no mesmo prazo se a criança vai ser enviada para outro local para ser liberada, detida com sua família ou deportada.

De acordo com a argumentação que a Legal Aid apresentou ao tribunal na segunda-feira, agências do governo estavam movendo rapidamente as crianças e os pais sem lhes dar tempo para falar com os advogados sobre as possíveis consequências legais, incluindo a remoção do país.

"Esta informação é crucial para que nossos clientes - muitos deles crianças de pouca idade que já sofreram muitos traumas - tomem decisões conscientes sobre a busca de asilo ou outras formas de alívio", explicou, Adrienne Holder, outra advogada da organização.

Advogados de crianças imigrantes denunciam caos e negligência

Para Jorge Baron, diretor executivo da Northwest Immigrant Rights Project, a decisão mais ampla do juiz Sabraw sobre as deportações rápidas servia para "dar um pouco de tempo (para os advogados)".

"Ainda não estou certo de que fizemos contato com todos os país que estão detidos na nossa região", afirmou Baron. Seu grupo representa várias dúzias de pais separados que foram enviados para centros de detenção no Estado de Washington. / REUTERS, AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.