EFE/HAYOUNG JEON
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Decisivos na aprovação do Brexit, pobres e idosos recuam

Agora eles estão entre os que acreditam que a separação trará efeitos negativos para a economia do Reino Unido

Célia Froufe, Correspondente / Londres, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2017 | 05h00

Na semana em que o governo promete formalizar a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o chamado Brexit, uma pesquisa da consultoria IHS Markit revela que 53% dos britânicos acreditam que o divórcio trará efeitos negativos para a economia nos próximos dez anos – em julho, um mês após o referendo que definiu a separação, eram 42%. A proporção dos que acreditam numa melhora caiu de 39% para 29%. 

Na consulta popular de junho, 51,9% dos britânicos apoiaram o divórcio da UE. Houve uma reviravolta no apoio de dois segmentos decisivos para aquele resultado: o dos mais idosos e o dos mais pobres. A faixa etária de 18 a 24 anos permanece como a mais pessimista e ainda acentuou essa tendência (de 10,2% para 37,3%). Já os mais velhos (de 55 a 64 anos) passaram do otimismo para o pessimismo entre uma pesquisa e outra. 

Um movimento similar foi verificado entre a população mais pobre do Reino Unido, o único grupo então entusiasmado com o Brexit, que passou a ter menos esperança. Estão nesse grupo trabalhadores com renda anual inferior a 15 mil libras (R$ 58 mil). Na sequência, estão os mais bem remunerados (com salário anual superior a 57 mil libras, ou R$ 221 mil).

A pesquisa indica que apenas os trabalhadores da indústria e da construção veem motivos para otimismo. “Os que trabalham no setor público tornaram-se mais negativos do que aqueles empregados no setor privado”, comparou o economista-chefe da IHS Markit, Chris Williamson.

O maior grau de desalento voltou a ser visto nos meios de comunicação, cultura e entretenimento, seguido por tecnologia da informação, telecomunicação, educação, saúde e serviços sociais.

 A IHS detectou deterioração do humor em todas as regiões do Reino Unido. A maior onda pessimista sobre o impacto do Brexit no longo prazo continua a ser visto na Escócia, onde o saldo dos que anteveem piora da economia é de 54,8% – era de 27,6% em julho, já a maior porção na ocasião. Na sequência, vêm as regiões Nordeste (39,3%) e a de Londres (31,3%).

“O pessimismo do Nordeste é notável, uma vez que foi uma de 4 das 11 regiões britânicas a ter percebido um impacto positivo líquido na pesquisa de julho, sugerindo uma forte reviravolta no sentimento”, comentou Williamson.

 

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