UNTV via AP
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Conselho de Segurança da ONU condena ação da Rússia; Brasil pede saída das tropas russas da Ucrânia

Reunião foi solicitada pela Ucrânia após presidente da Rússia reconhecer duas áreas como independentes e enviar tropas para as regiões; encontro não tomou nenhuma providência sobre a crise

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2022 | 02h37
Atualizado 22 de fevereiro de 2022 | 11h27

O Conselho de Segurança da ONU condenou a decisão da Rússia de reconhecer a independência das repúblicas separatistas de Donetsk e Luhansk e enviar tropas para essas áreas. Em uma reunião convocada às pressas na noite de segunda-feira, 21, a maioria dos países-membros do conselho, inclusive o Brasil, pediram um recuo russo na decisão de enviar tropas para o leste da Ucrânia, apesar de nenhuma providência prática ter sido adotada.

Mesmo sendo alvo de críticas de quase todos os representantes, o governo da Rússia disse estar aberto à diplomacia e para resolver a crise na Ucrânia, afirmou o embaixador russo Vassili Nebenzia. Na versão dele, o país vai impedir um "banho de sangue" nos territórios separatistas do leste ucraniano. "Continuamos abertos à diplomacia a uma solução diplomática. No entanto, permitir um novo banho de sangue em Donbass é algo que não pretendemos fazer", declarou.

"Mesmo nesses momentos tão difíceis, nós dizemos: estamos prontos para negociações", disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, no YouTube. Ela confirmou que o chanceler russo, Serguei Lavrov, irá a Genebra discutir a crise com o secretário de Estado americano, Antony Blinken, na quinta, 24.

Durante a reunião do Conselho, que durou cerca de 90 minutos, nenhuma providência prática foi tomada. Entretanto, a maioria dos países condenou as ações russas como uma violação a Carta das Nações Unidas, em nova repreensão diplomática ao país.

O embaixador brasileiro Ronaldo Costa Filho pediu por um "cessar-fogo imediato" no leste da Ucrânia, apelando para que os russos desmobilizassem tropas e voltassem a discutir uma solução pela via diplomática. Apesar de pedir respeito pela integridade territorial da Ucrânia, Costa Filho não mencionou o presidente russo, Vladimir Putin, em seu discurso.

A decisão russa de enviar "tropas de paz" ao leste da Ucrânia foi considerada um "absurdo" pela embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield, que chamou a tentativa de recriar o império russo de um retrocesso antiquado: “Putin quer que o mundo volte no tempo. Para um tempo antes das Nações Unidas. Para uma época em que impérios governavam o mundo”.

"Quem será o próximo" a ser invadido?, perguntou o embaixador albanês, Ferit Hoxha, mais diretamente, condenando uma "ruptura do direito internacional".

Críticas à decisão russa também partiram de representantes de países convidados e com cadeiras permanentes no conselho, como Reino Unido, França, Índia, Quênia, Gana, Emirados Árabes e Irlanda.

A China, por outro lado, absteve-se de condenar explicitamente a Rússia. "Acreditamos que todos os países devem resolver suas diferenças internacionais por meios pacíficos, de acordo com os objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas", limitou-se a dizer o embaixador Zhang Ju.

Convidado a falar na reunião, embora seu país não tenha uma cadeira no Conselho, o embaixador da Ucrânia, Sergiy Kyslytsya, afirmou que "as fronteiras internacionalmente reconhecidas da Ucrânia permanecerão inalteradas, independentemente das declarações e atos da Rússia". O embaixador ainda pediu à Rússia que anule a decisão de reconhecer os territórios ucranianos separatistas, retorne à mesa de negociações e realize a retirada imediata e verificável de suas tropas de ocupação.

A Secretária Geral Adjunta da ONU para Assuntos Políticos, Rosemary DiCarlo, lamentou as decisões e ações russas. "As próximas horas e dias serão críticos. O risco de novos conflitos é real e deve ser evitado a todo custo", disse DiCarlo na reunião. 

Contexto

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, assinou na última segunda-feira, 21, dois decretos que autorizam o envio de tropas para duas regiões separatistas no leste da Ucrânia, depois de reconhecer Donetsk e Luhansk como repúblicas independentes. A medida, que ecoa os movimentos de Putin na Guerra da Geórgia em 2008, foi anunciada um dia depois dos esforços do presidente francês, Emmanuel Macron, de negociar uma saída diplomática para a crise. /AFP e NYT

 

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