Declaração de Nobel alemão provoca revolta de israelenses

Prêmio Nobel de Literatura, o escritor alemão Günter Grass causou revolta em Israel ao afirmar que o Estado judeu é "uma ameaça à paz mundial" em um poema publicado ontem no jornal Süddeutsche Zeitung.

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2012 | 03h02

O escritor nascido na atual Gdansk confessou em 2006 que se alistou com 17 anos em uma divisão blindada da Waffen-SS, o aparelho militar das SS - a guarda pretoriana do Estado nazista. Grass diz ter rompido o silêncio porque, apesar de sua biografia ser marcada por um "estigma indelével", está "envelhecido" e quer usar "sua última tinta" para denunciar a ameaça israelense à paz mundial. "Israel, potência nuclear, põe em perigo uma paz mundial já por si só quebradiça? Porque é preciso dizer o que amanhã pode ser muito tarde e porque, suficientemente incriminados como alemães, poderíamos ser cúmplices de um crime que é previsível", escreve.

Hermann Grohe, secretário-geral da União Democrata Cristã (CDU) da chanceler Angela Merkel, disse ter ficado "horrorizado". "O escritor sabe que o Irã questiona o próprio direito à existência do Estado de Israel".

O embaixador israelense em Berlim, Emmanuel Nahshon, ironizou: "Os judeus costumavam ser acusados na Europa de usar sangue de crianças para fazer matzá (pão ázimo consumido na Páscoa judaica). Agora é o povo iraniano que o Estado judeu quer apagar de propósito".

"Duvido que o poema lance nova luz sobre as complexidades da situação no Oriente Médio ou promova uma discussão construtiva", disse ao Estado o escritor e tradutor israelense Raz Elmaleh, para quem o texto faz "tempestade em copo d'água". / V.V.

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