Declaração deve irritar Paquistão, um aliado estratégico

Barack Obama tomou uma decisão arriscada ao defender a inclusão da Índia no Conselho de Segurança da ONU sem levar em consideração preocupações geopolíticas do vizinho Paquistão. Os dois países asiáticos são rivais militares e já travaram três guerras desde 1947.

Cenário: Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2010 | 00h00

Ambos são potências nucleares e o cenário atual é de equilíbrio. Com um assento permanente no CS, essa delicada balança de forças penderia para o lado indiano.

Não seria apenas uma questão de vaidade ou interesses regionais menores, como ocorre com o México em relação à aspiração brasileira. Islamabad e Nova Délhi reivindicam a região da Caxemira - território de maioria islâmica na fronteira entre os dois países. Nessa disputa, os paquistaneses terceirizaram os ataques, dando apoio a grupos extremistas islâmicos. A maior parte dessas organizações é ligada a grupos hostis aos EUA tanto no Paquistão como no Afeganistão. Alguns, aliados da Al-Qaeda. Por isso, o Paquistão mantém uma relação dúbia com os EUA. O país é fundamental na luta americana contra o terror. Mas o regime de Islamabad reluta em combater os grupos radicais que contribuem no conflito contra a Índia. Os paquistaneses também não apreciam a aproximação do líder afegão, Hamid Karzai, com os indianos.

Outros países islâmicos tampouco simpatizam com a ideia de aumentar o CS da ONU sem incluir uma nação muçulmana - neste caso, a Turquia, o Egito e Indonésia seriam os favoritos, não o Paquistão. Além do deles, a China também não vê com bons olhos a sugestão de incluir a Índia, um rival político e econômico - apesar da população de mais de 1 bilhão de habitantes, os indianos mantêm um Estado democrático.

É CORRESPONDENTE EM NOVA YORK

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