Declaração final do Brics não criticará ação russa na Ucrânia

Texto 'neutro' será uma vitória do presidente russo Vladimir Putin, que usa o bloco como plataforma geopolítica, dizem especialistas

O Estado de S. Paulo

14 Julho 2014 | 19h13

A declaração final do encontro do Brics, que começa na terça-feira, 15, em Fortaleza não criticará as recentes ações da Rússia no território ucraniano, afirmaram fontes do governo brasileiro ouvidas pela agência Reuters nesta segunda-feira.

O texto deverá refletir a posição neutra já adotada pelos países que formam o grupo - Brasil, Índia, China e África do Sul - nas Nações Unidas, e é considerado uma vitória diplomática do presidente russo, Vladimir Putin.

Realizado sob forte pressão de líderes ocidentais que tentam isolar Putin, o encontro do Brics serve como plataforma geopolítica para o líder russo mostrar que tem nações amigas e poder econômico capaz de influenciar decisões-chave de outras nações.

"É uma vitória para a Rússia a presença de Putin em um encontro internacional cujo tema não é a questão ucraniana. Isso significa que os países Brics rejeitaram os esforços do ocidente de tornarem Moscou um governo pária", afirmou Oliver Stuenkel, especialista em Brics da Fundação Getúlio Vargas. 

Apesar de nenhum dos membros do grupo ter apoiado as ações russas na Ucrânia, todos se abstiveram quando a Assembleia-Geral da ONU aprovou uma resolução criticando a anexação da Crimeia feita por Moscou, em março.

"A abstenção  é sempre uma grande vitória para a Rússia quando o assunto são as críticas sobre sua relação com seus vizinhos e é isso que nós veremos no encontro de Fortaleza", disse Marcos Troyjo, diretor do Centro BRICLab na Universidade Columbia, de Nova York. / REUTERS

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