Declaração fixa prazo para estocar urânio

Os 47 países representados na Cúpula de Segurança Nuclear estabeleceram um prazo de quatro anos para assegurar que o material nuclear do mundo será armazenado em lugares seguros, longe do alcance de organizações terroristas como a Al-Qaeda.

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2010 | 00h00

O compromisso - uma ideia proposta pelo presidente americano, Barack Obama, em discurso em Praga há um ano - foi parte do comunicado final da conferência, encerrada ontem, em Washington. Como exemplo de como reduzir o risco de que material nuclear caia nas mãos de terroristas, Ucrânia, México, Canadá e Chile anunciaram que abrirão mão de seus estoques de urânio altamente enriquecido, a maioria usado em reatores de pesquisa. Outros 17 países, entre eles o Brasil, já fizeram isso nos anos 90.

Anteriormente, os reatores de pesquisa usavam urânio enriquecido a até 90%, o que é suficiente para fabricar bombas nucleares. Os reatores foram sendo convertidos para usar urânio enriquecido a até 20%, mais seguro - e o combustível altamente enriquecido foi devolvido aos EUA.

No comunicado final, as nações reunidas prometeram fazer de tudo para que "agentes não governamentais" não tenham acesso a materiais para armas nucleares. O comunicado pede mais controles sobre o armazenamento de urânio enriquecido e plutônio, mas desde que se respeite a soberania dos países sobre seus materiais nucleares.

"Se eles (terroristas) conseguirem ter acesso a esse material, será uma catástrofe para o mundo, que vai resultar em uma extraordinária perda de vidas e representar um dos maiores problemas para a paz e estabilidade global", declarou Obama.

Alguns líderes e a imprensa americana criticaram o esquema da cúpula, em que as plenárias eram fechadas e não havia acesso da mídia. Para muitos, foi uma ofensiva de relações públicas do presidente americano, que aproveitou a cúpula para pressionar por sanções contra o Irã e para conseguir o fortalecimento do Tratado de Não-Proliferação (TNP). / P.C.M.

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