Declarações sobre armas de Saddam enfurecem europeus

Europeus críticos da guerra no Iraque mostraram-se chocados com comentários feitos pelo subsecretário da Defesa dos EUA alegando, agora, que as armas de destruição em massa não foram a razão principal para o conflito. Com isso, governos que apoiaram a guerra se vêem sob uma barragem renovada de críticas.Em entrevista a ser publicada na próxima edição da revista Vanity Fair, o subsecretário Paul Wolfowitz afirmou que a administração Bush deu ênfase às supostas armas proibidas de Saddam Hussein por "razões burocráticas" e que a "grande razão" para a guerra era permitir que Washington retirasse tropas da Arábia Saudita. "Chegamos à conclusão de que as armas de destruição em massa eram o único argumento com o qual todos concordariam", explicou Wolfowitz. Uma das principais razões da guerra ?passou quase despercebida? - a necessidade de os EUA manterem forças na Arábia Saudita enquanto Saddam Hussein estivesse no poder, disse. No começo da semana, o chefe de Wolfowitz, o secretário da Defesa Donald H. Rumsfeld, sugeriu que Saddam poderia ter destruído tais armas antes do início da guerra.Na Dinamarca, cujo governo apoiou a guerra, a oposição exigiu saber se o primeiro-ministro Anders Fogh Rasmussen enganou o público. "Não foi o que o premier dinamarquês falou quando defendeu o apoio à guerra", afirmou o porta-voz de Assuntos Exteriores dos social-democratas, Jeppe Kofod, referindo-se às declarações de Wolfowitz.Na Alemanha, onde era enorme a oposição popular à guerra, o jornal Frankfurter Allgemeine Zeiting escreveu que o subsecretário mostra que os EUA estão perdendo a batalha da credibilidade: "A acusação de logro é inevitável".Em Londres, o ex-secretário do Exterior britânico Robin Cook, que renunciou ao posto de líder da Câmara dos Comuns em protesto contra a guerra, disse duvidar de que Saddam tinha tais armas. "Nos venderam a guerra com base no que foi descrito como um ataque preventivo", lembrou Cook à BBC. "Agora ficou bem claro que Saddam não tinha nada".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.