Decoração da Casa Branca é motivo de especulação

Equipe de mudança ainda é mistério, mas mídia já está de olho no estilo que a família Obama adotará no novo lar

Penelope Green, The New York Times, O Estadao de S.Paulo

19 de janeiro de 2009 | 00h00

Desde que Mary Todd Lincoln excedeu o orçamento para a decoração da Casa Branca em cerca de US$ 6,7 mil (um terço da verba de US$ 20 mil destinada a esse fim), enfurecendo seu marido e fazendo a festa da imprensa, a redecoração do lar do presidente tem sido um campo minado para as relações públicas."Há uma antiga máxima que diz que você pode construir uma estrada de US$ 1 bilhão, que não passa da maior obra eleitoreira do mundo, ninguém vai reclamar", disse William Seale, historiador da Casa Branca, "mas se você ocupa um cargo público e resolve mudar sua escrivaninha, vai acabar na primeira página dos jornais. Em se tratando da decoração presidencial, é preciso ter em mente que o olhar do público estará acompanhando tudo o que você fizer."A equipe de transição de Barack Obama ainda não respondeu às perguntas sobre a decoração dos interiores, de modo que só podemos especular quanto à marca que os Obamas vão conferir à Casa Branca. Quem sabe escolham Nate Berkus, o cativante decorador amado por Oprah Winfrey para ajudá-los.Ou quem sabe, como sugeriu o comediante Andy Borowitz, eles sigam o padrão que Obama estabeleceu para as nomeações do seu gabinete. "Com a abordagem de constituir uma equipe de rivais, em vez de um decorador, teremos oito deles: quatro republicanos e quatro democratas, nenhum dos quais é capaz de suportar os demais, e ele obrigará cada um deles a se responsabilizar por um cômodo", disse Borowitz. Seja como for, a família Obama terá de seguir uma regra básica: pagar a equipe de mudança com dinheiro do próprio bolso.E embora o Congresso preveja um orçamento de US$ 100 mil para cobrir os custos de mudança para cada novo governo, se os Obamas gastarem mais do que isso, terão de cobrir as despesas de decoração de seus aposentos particulares com doações privadas.A família Obama não pode esquecer que as aparências são importantes: o Salão Oval de Jimmy Carter, de tonalidades terrenas, transmitia ao mesmo tempo uma imagem doméstica e precária (não veio ao caso o fato de ter sido o seu predecessor, Gerald Ford, quem escolheu a decoração, mantida por Carter para economizar), e o preço do aparelho de porcelana de Nancy Reagan (US$ 210 mil) foi visto como uma extravagância absurda (apesar de ter sido considerada uma necessidade - antes os jantares de Estado eram servidos numa miscelânea de padrões diferentes, pois não havia aparelho de louça para servir a todos).A Casa Branca dos Kennedys era muito francesa; a dos Clintons, muito fiel ao estilo do Arkansas. Na história recente, apenas a família Bush do 41.º e do 43.º presidentes, legítima representante dos wasps (protestantes brancos anglo-saxões), escapou de ser ridicularizada por causa da decoração.A decoração da Casa Branca é trabalho para a primeira-dama - ela preside um conselho formado por nomeados que incluem o decorador e historiadores da arte, especialistas em mobília e arte decorativa, além de outros especialistas. A reforma dos cômodos públicos, as adições aos formidáveis acervos de arte e mobília, e qualquer trabalho de restauração, são supervisionados pelo comitê e financiados por um fundo que possui ativos no valor de cerca de US$ 27 milhões.Mas em se tratando dos aposentos particulares, no segundo e terceiro andares, e do Salão Oval, a decoração é fruto da "decisão particular da família presidencial", disse Tom Savage, diretor de museus em Winterthur, no Delaware. "O público parece pensar equivocadamente que a família presidencial pode realizar alterações muito dramáticas, e não é isso que acontece."O dia da mudança é, entretanto, dramático. Gary Walters, que se aposentou no mês passado depois de 21 anos supervisionando a mansão de 132 cômodos como porteiro-chefe da Casa Branca, explicou que no primeiro dia da nova presidência era trabalho dele ajudar na mudança das famílias presidenciais, durante o breve e frenético período entre a hora em que o presidente de saída deixava o imóvel (cerca de 10h45, depois de receber o presidente eleito e tomar com ele uma xícara de café no Salão Azul) e a hora em que o novo presidente deixa o desfile inaugural no fim da tarde e volta para casa.Isto faz com que o porteiro e os seus 93 assistentes, incluindo a equipe doméstica, pintores, carpinteiros, floristas e até calígrafos, além do novo decorador e sua equipe, tenham apenas 5 horas para desempacotar todos os pertences da família e guardar tudo no devido lugar. "A meta é não deixar nenhuma caixa fechada", disse Walters, que costumava se mudar para a Casa Branca uma semana antes do primeiro dia da nova presidência.

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