Decretada prisão provisória de ex-premiê português

José Sócrates está detido desde sexta-feira como suspeito de ter cometido crimes de corrupção; ele foi ouvido em audiência hoje

O Estado de S. Paulo

24 Novembro 2014 | 20h54

LISBOA -  A Justiça de Portugal decretou prisão a provisória do ex-primeiro-ministro José Sócrates, detido desde a última sexta-feira como suspeito de corrupção, confirmou nesta segunda-feira, 24, seu advogado, João Araújo. 

Sócrates voltou ao tribunal neta segunda-feira para mais questionamentos sobre suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e fraude fiscal. Ele chegou ao Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, em um carro de polícia depois do terceiro dia na cadeia.

O juiz Carlos Alexandre, que conduziu a audiência preliminar, determinou que ficará sob custódia até um julgamento definitivo.

Sócrates foi detido por inspetores da Autoridade Tributária portuguesa na noite de sexta-feira, após voltar de uma viagem à Paris. Também foram presos o empresário Carlos Santos Silva, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e o motorista João Perna, no dia anterior. A investigação foi batizada de "Operação Marquês".

De acordo com o jornal português Diário de Notícias, João Perna era o responsável pelo repasse de verbas entre Sócrates e Carlos Santos Silva. Ele está sendo investigado há vários meses pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal. Segundo as investigações, Santos atuou como banqueiro particular e "testa de ferro" de Sócrates. Os dois se conhecem desde a adolescência.

O motorista colocou à disposição do ex-primeiro-ministro uma conta bancária pessoal, pelo qual ele efetuava as transações financeiras suspeitas de configurarem lavam de dinheiro, de acordo com o jornal Correio da Manhã. Além disso, Perna foi fotógrafo transportando malas que os investigadores acreditam que continham elevados montantes de dinheiro.

Em comunicado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) de Portugal informou que o inquérito "teve origem numa comunicação bancária" e investiga "operações bancárias, movimentos e transferências de dinheiro sem justificativa conhecida e legalmente admissível". O processo está em segredo de justiça.

Sócrates, de 57 anos, foi primeiro-ministro de 2005 a 2011 pelo Partido Socialista. Durante seu governo, a dívida de Portugal disparou, o que obrigou a pedir ajuda financeira à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional (FMI). / EFE e AP

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