Aris Oikonomou / AFP
Aris Oikonomou / AFP

Defensores do Brexit têm 'lugar especial no inferno', diz presidente do Conselho Europeu

Em resposta, Nigel Farage, um dos mais maiores defensores da saída britânica do bloco, afirma que em breve o Reino Unido está livre de 'valentões arrogantes que não foram eleitos' como Tusk

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2019 | 18h11

BRUXELAS - Os defensores da saída do Reino Unido da União Europeia que não têm um plano para efetivá-la merecem um “lugar especial no inferno”, disse o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, provocando a revolta de ativistas britânicos anti-UE, um dos quais o chamou de “valentão arrogante”.

Conversando com repórteres em Bruxelas nesta quarta-feira, 6, Tusk afirmou: “Venho me perguntando como será aquele lugar especial no inferno para aqueles que promoveram o Brexit sem nem mesmo o esboço de um plano para realizá-lo com segurança”.

Tusk, que receberá a primeira-ministra britânica, Theresa May, na quinta-feira, fez a afirmação depois de conversas com o premiê da Irlanda, Leo Varadkar, sobre como salvar um acordo do Brexit antes de Londres se desligar do bloco em 50 dias, o que põe em risco a paz na Irlanda do Norte.

Dizendo que o Reino Unido partirá como um “amigo confiável” se descartar suas objeções à garantia de um “backstop” na fronteira irlandesa, Tusk usou uma linguagem dura que indicou a hostilidade que Londres pode enfrentar se não encontrar um meio-termo com seus vizinhos europeus.

O porta-voz de May insinuou que os comentários do presidente do Conselho Europeu não foram “úteis”.

Enquanto surgiam manchetes bombásticas com as palavras de Tusk, o defensor do Brexit Nigel Farage, que fez campanha durante muito tempo a favor da separação da UE, contra-atacou minutos depois no Twitter: “Depois do Brexit estaremos livres de valentões arrogantes que não foram eleitos, como você, e cuidaremos de nosso próprio país”, disse. “Parece mais o céu para mim”.

A UE rejeita as queixas de que líderes como Tusk não são eleitos. Ele era premiê da Polônia ao ser escolhido em 2014 por outros líderes eleitos de países-membros do bloco, incluindo o então premiê britânico David Cameron, para comandar as cúpulas. Seu poder se limita a tentar conduzi-los a um consenso. / REUTERS

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