Librado Romero/The New York Times/2005
Librado Romero/The New York Times/2005

Defesa de diretor do FMI deve alegar sexo consensual, informa jornal de NY

Futuro de Dominique Strauss-Kahn deve ser decidido em audiência marcada para a sexta-feira

Gustavo Chacra, correspondente em Nova York, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2011 | 00h00

Acusado de ataque sexual contra uma camareira de um hotel em Nova York, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, ficará na prisão de Rikers Island, na região do Queens, até sexta-feira, quando ocorrerá a próxima audiência em uma corte de Manhattan. Nesta data, a defesa de Strauss-Kahn tentará novamente entrar com um pedido de fiança para que o processo seja respondido em liberdade.

 

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Segundo relato do tabloide New York Post, a defesa pode mudar a estratégia e admitir ter havido uma relação sexual consentida entre Strauss-Kahn e a vítima, cuja identidade é mantida em sigilo. A informação não foi confirmada pela equipe do advogado Benjamin Brafman.

Durante a audiência na segunda-feira, a defesa apenas negou que tenha havido o ataque, sem mencionar se houve ou não contato sexual consentido.

O advogado, posicionado ao lado de Strauss-Kahn, afirmou apenas "não haver provas de um encontro forçado" entre seu cliente e a vítima em uma suíte do Hotel Sofitel, na região da Times Square, no sábado.

Nos próximos dias, devem ser divulgadas mais informações como o vídeo de Strauss-Kahn e da camareira saindo do quarto. Ela afirma que ele saiu nu do banheiro e tentou estuprá-la.

Para a defesa, não há motivos para manter Strauss-Kahn preso e Brafman quer que a juíza Melissa Jackson, responsável pelo caso, conceda o direito à liberdade mediante o pagamento de uma fiança de US$ 1 milhão. O dinheiro já estaria disponível em uma conta de Ann Synclair, mulher do diretor do FMI.

Negociações. Em um possível acordo com a promotoria, a defesa propõe que, além do pagamento, seja colocada uma tornozeleira eletrônica em Strauss-Kahn. Com este aparelho, seria possível monitorar os passos do diretor do FMI, que ficaria hospedado na casa de sua filha em Nova York. Casada, ela estuda Ciências Políticas na Universidade Columbia, em Manhattan, e teria almoçado com o pai e o marido no sábado.

Os promotores mostram reticências em relação a esta possibilidade. Apesar de usada em vários Estados americanos, a tornozeleira é raramente uma opção para suspeitos em Nova York.

Também existe, na Justiça americana, um temor de que Strauss-Kahn fuja para a França, um país que não extradita seus cidadãos. "É exatamente o mesmo caso de Roman Polanski", disse o promotor Daniel Alonzo, referindo-se ao diretor de cinema francês que escapou para a Europa há mais de 30 anos durante processo de pedofilia.

A prisão de Rikers Island é uma das mais célebres de Nova York. Strauss-Kahn está em uma ala isolada, reservada para prisioneiros com doenças contagiosas ou pessoas que necessitam de proteção. O diretor-gerente do FMI também estaria sob vigilância especial por causa do risco de suicídio, informou ontem a rede de TV NBC.

Sua cela tem três por quatro metros e o diretor do FMI não precisa dividi-la com nenhum outro prisioneiro.

O despertar ocorre às 6 horas. O café da manhã teve frutas, torradas e café com leite. No almoço de ontem, foi servido arroz, ervilhas, cenoura e chilli. O jantar teria picadinho, macarrão, pão, fruta e suco. Segundo a defesa, ele está bem e sua mulher já desembarcou em Nova York, vinda da França, onde Strauss-Kahn, até o escândalo do fim de semana, era favorito para vencer as eleições presidenciais do ano que vem, concorrendo com Nicolas Sarkozy.

 

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