Federico Parra/ AFP
Federico Parra/ AFP

Defesa de López recorrerá de sentença e critica chavismo

Segundo assessores do Voluntad Popular, hoje deve ser divulgada uma carta escrita por López com uma mensagem à Venezuela

O Estado de S. Paulo

11 Setembro 2015 | 09h17

CARACAS - O advogado do líder opositor venezuelano Leopoldo López, Juan Carlos Gutiérrez, prometeu recorrer da sentença que condenou o ex-prefeito de Chacao a 13 anos e 9 meses de prisão. "A sentença não tem base jurídica sólida", disse.

Em uma declaração na Praça Bolívar de Chacao, no leste de Caracas, onde simpatizantes de López se reuniram após o julgamento, Gutiérrez disse que apresentará recurso à sentença nos próximos dias. "Revelaremos toda a cadeia sistemática de violações de direitos humanos que se iniciou no dia em que começou este processo judicial e que ainda se mantém", disse. "Não é uma sentença com uma base jurídica sólida, que tenha uma análise de estrito apego à legalidade, é uma mera complacência, não é um ato jurisdicional, não contém argumentação, análise probatória e muito menos análises jurídicas."

Já Freddy Guevara, coordenador nacional do partido de López, o Vontade Popular (VP), pediu ao povo da Venezuela que se mantenha firme nestes momentos de frustração e aguarde o chamado de Leopoldo. Segundo ele, hoje deve ser divulgada uma carta escrita por López com "uma mensagem à Venezuela" 

Em entrevista à emissora americana CNN en Español, o secretário-executivo da coalizão opositora Mesa pela Unidade Democrática (MUD), Jesús Chuo Torrealba, considerou uma provocação a sentença do julgamento de López. "O governo está interessado em promover a violência e provocar uma situação de ruptura institucional diante da possibilidade de ser derrotado nas eleições legislativas de 6 de dezembro", disse.

A defesa de López ainda prometeu seguir até as últimas instâncias  da Justiça venezuelana, onde quase a totalidade dos magistrados são nomeados pelo governo e dificilmente ditam sentenças contrárias aos interesses do chavismo. "Se os caminhos do sistema de Justiça não permitem dar brilho à verdade, então serão necessários outros caminhos democráticos, o do voto e os legislativos", acrescentou Gutiérrez.

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O governo está interessado em promover a violência e provocar uma situação de ruptura institucional diante da possibilidade de ser derrotado nas eleições legislativas
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SentençaA juíza Susana Barreiros considerou ontem  López culpado por incentivar a violência nos protestos de fevereiro de 2014, que deixaram 43 mortos. López foi sentenciado a 13 anos e 9 meses de prisão, que serão cumpridos na penitenciária militar de Ramo Verde, onde ele está detido desde que se entregou, 18 meses atrás.

A base da condenação foram as mais de 700 mensagens que López postou em sua conta no Twitter na época das manifestações. De acordo com os promotores, em todos os tuítes, exceto em um deles, o opositor incentivou a violência e a falta de respeito pelas autoridades venezuelanas - a acusação havia pedido uma pena de 14 anos. / EFE

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