Defesa diz que Saddam atacou apenas rebeldes curdos e tropas iranianas

Os advogados de defesa de Saddam Hussein insistiram no julgamento do ex-ditador, nesta terça-feira, que os militares iraquianos atacaram apenas tropas iranianas e rebeldes curdos no final dos anos 80, quando mais de 100 mil curdos morreram.Os comentários da defesa foram feitos no segundo dia de julgamento, no qual Saddam é acusado de genocídio durante a operação Anfal, entre 1987 e 1988, quando tropas destruíram milhares de vilas no norte do Iraque, região conhecida como Curdistão. A corte ouviu um sobrevivente da campanha, que testemunhou como a sua vila, Balisan, foi bombardeada por armas químicas. "Eu vi oito ou doze jatos[...]Havia uma fumaça esverdeada das bombas. Era como se houvesse um cheiro de maçã podre ou de alho, minutos depois. As pessoas vomitavam[...]nós ficamos cegos, gritando. Não havia ninguém para nos resgatar. Só deus", relatou à corte Ali Mostafa Hama.Hama, vestido com roupas típicas curdas, disse ter visto uma criança recém nascida morrer durante o bombardeio. "A criança tentava respirar vida, mas ele inspirou os químicos e morreu", afirmou em língua curda, com um tradutor para o árabe. Junto com Saddam, outros seis iraquianos estão no julgamento do caso. Um deles é primo de Saddam, Ali Hassan al-majid, que liderou a campanha da Anfal, e responde por acusações de genocídio, enquanto os outros são acusados de crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Dois dos acusados se dirigiram a corte e insistiram que a Anfal só tinha como alvo tropas iranianas e as guerrilhas curdas aliadas dos iranianos, enquanto o Iraque travava sangrenta batalha com o Irã. "O objetivo era combater o exército armado, organizado[...]o alvo não era civis", afirmou o sultão Hashim al-Tai, na época comandante da força-tarefa da Anfal e chefe do Primeiro Grupo do Exército Ele afirmou que os civis nas áreas onde a Anfal atuou foram "transportados com segurança" para outras áreas. Saddam e os outros seis acusados correm o risco de enforcamento se condenados no caso Anfal, segundo julgamento que o ex-líder encara por supostas atrocidades cometidas durante seu regime. O julgamento foi adiado para a quarta-feira.

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