Defesa espera que britânica condenada no Sudão seja perdoada

Diplomatas tentam libertação de professora condenada por permitir que alunos chamassem ursinho de Maomé

Associated Press e Efe,

01 de dezembro de 2007 | 12h46

O advogado de defesa da professora britânica condenada pelo governo do Sudão por blasfêmia e insulto ao islã espera que Gillian Gibbons seja perdoada com a visita da delegação britânica no país neste sábado, 1. Ela recebeu a pena de 15 dias de prisão e a deportação por permitir que seus alunos chamassem de Maomé (Mohamed em árabe) um ursinho de pelúcia.  Dois lordes muçulmanos britânicos estão no Sudão para tentar conseguir a libertação da professora. "Não ficaremos surpresos se o presidente disser para a delegação que retirou as acusações", disse o advogado Kamal al-Gizouli à Associated Press, explicando que apenas o chefe de governo tem poder para retirar a sentença de Gillian. Nazir Ahmed, o primeiro muçulmano a chegar à Câmara dos Lordes, e a baronesa Sayeeda Hussain Warsi devem visitar Gillian e se reunir com o presidente sudanês, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, e as autoridades judiciais. A professora britânica foi transferida pelas autoridades da penitenciária para mulheres de Omdurman, a leste de Cartum, a um lugar secreto para garantir sua segurança. Segundo fontes policiais, foi preciso transferir a professora devido a uma grande manifestação realizada na sexta, em Cartum, na qual os presentes ameaçavam matar Gillian a facadas se a encontrassem. O filho de Gillian disse que a mãe está suportando "muito bem" a situação pela qual está passando. Segundo John Gibbons, que teve a chance de conversar com a professora, "Foi agradável ouvir a voz dela. Ela está muito bem, parecia forte. Espero falar com ela de novo neste sábado". John acrescentou que não pretende viajar ao Sudão, já que a família acredita que a situação será solucionada "o mais breve possível". De acordo com o artigo 125 do Código Penal sudanês, a professora poderia ter sido condenada a seis meses de prisão, pagar uma multa ou receber 40 chibatadas. Gillian foi detida no último domingo após o Ministério da Educação do Sudão receber uma queixa de professores. A professora, que começou a trabalhar na escola em agosto, teria pedido o ursinho de pelúcia de uma menina de sete anos emprestado e sugeriu que seus colegas dessem um nome a ele. Dos 23 alunos, 22 votaram no nome Maomé para o brinquedo. O diretor da escola explicou que as crianças tinham que levar o ursinho para suas casas nos finais de semana e cada um teria de descrever o que fazia com ele. Os comentários dos pequenos foram colocados num livro cuja capa estampava uma fotografia do ursinho com a legenda: "Meu nome é Maomé". Ao tomar conhecimento do livro, a União Superior de Escolas Sudanesas decidiu suspender a britânica e divulgou um pedido oficial de desculpas aos alunos, seus familiares e a todos os muçulmanos. A direção do colégio particular em que Gillian lecionava inglês anunciou o fechamento de suas instalações por medo de ataques.

Tudo o que sabemos sobre:
SudãoReino UnidoUrsinho Maomé

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.