Defesa quer convencer STF que Battisti é perseguido político

Os advogados do ex-ativista de extrema esquerda italiano Cesare Battisti, de 52 anos, tentarão convencer os juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) de que ele sofre perseguição política na Itália para livrá-lo da extradição. Preso no último final de semana no Rio de Janeiro, o ex-ativista foi condenado na Itália à prisão perpétua num processo em que foi acusado de envolvimento em quatro homicídios. Na época, ele integrava o Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), grupo ligado às Brigadas Vermelhas.Tradicionalmente, o STF rejeita extradições de pessoas que são perseguidas politicamente. No entanto, a defesa terá trabalho para provar isto, pois Battisti é acusado de matar quatro pessoas na Itália.O ex-ativista foi transferido na tarde desta segunda-feira, 19, para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele foi preso por agentes da Polícia Federal auxiliados por investigadores franceses na manhã de domingo, enquanto caminhava pela avenida Atlântica, na praia de Copacabana. Battisti foi um dos fundadores do Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), grupo que atuou na Itália nos anos 70 e é responsabilizado pelo assassinato do primeiro-ministro Aldo Moro, em 1978.Em 1981, o italiano fugiu do presídio em que cumpria pena nas proximidades de Roma e foi para o México, onde viveu na clandestinidade por cerca de oito anos.De lá, em 1990, seguiu para a França, onde vigorava a política do então presidente socialista François Miterrand, que concedia asilo político a condenados italianos dispostos a renunciar a seu passado violento.Na década de 90, o refugiado foi julgado na Itália e condenado à prisão perpétua. Como a política de Miterrand para exilados já não vigorava na França, o pedido de extradição feito pelo governo italiano poderia ser aceito.Ante a possibilidade de ser preso, Battisti voltou a fugir e, desde então, seu paradeiro era ignorado. Até o último domingo, quando foi preso no Brasil.

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