AFP PHOTO / SANA
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Defesa síria destrói três mísseis de Israel

Segundo ONG que monitora conflito, alvo do ataque era depósito de armas do Irã

O Estado de S.Paulo

08 Maio 2018 | 19h30

DAMASCO - As Forças Armadas sírias interceptaram nesta terça-feira, 8, três mísseis israelenses disparados contra Qatif, imediações de Damasco, informou a agência oficial Sana. “A defesa antiaérea interceptou três mísseis e os destruiu”, informou a agência. 

O Observatório Sírio de Direitos Humanos – grupo com sede em Londres que monitora o conflito sírio – disse à agência France-Presse que os mísseis apontavam para um “depósito de armas da milícias iranianas ou do grupo libanês Hezbollah”.

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O ataque foi lançado pouco depois de o presidente americano, Donald Trump, anunciar a saída dos EUA do acordo nuclear com o Irã, acusando Teerã de ser o principal exportador do terrorismo na região.

Um oficial da aliança liderada pelo Irã que respalda Bashar Assad disse que o ataque teve como alvo uma posição militar síria, mas matou um homem e sua mulher que passavam de carro. Ele disse que havia caças nos céus, mas provavelmente a instalação foi alvo de um ataque de mísseis terra-terra lançados das Colinas do Golan.

Não houve nenhum comentário de Israel, que não costuma confirmar ou negar os ataques.

O regime de Teerã prometeu adotar represálias pelos recentes ataques israelenses na Síria contra posições iranianas.

Não é a primeira vez que o governo israelense lança ataques contra o país vizinho. E esses ataques têm se tornado mais frequente nos últimos meses, ampliando as tensões entre os arqui-inimigos Israel e Irã. No mês passado, um ataque contra uma base aérea síria matou sete militares iranianos. 

Em 30 de abril, Israel foi acusado de ter atacado posições do governo no nordeste da Síria, matando mais de uma dúzia de combatentes pró-Assad, a maioria deles iranianos.

Em outubro, caças da Força Aérea israelense destruíram uma bateria de defesa antiaérea síria a apenas 50 quilômetros de Damasco, afirmando que havia sido uma resposta ao ataque contra seus aviões quando estes realizavam uma missão de vigilância na fronteira.

Irã. Ainda hoje, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, acusou o Irã de querer mobilizar “armas muito perigosas” na Síria, onde Teerã apoia o regime de Bashar Assad, para destruir Israel.

Israel também acusa o Irã de reforçar sua presença na vizinha Síria, onde o Exército israelense realizou incursões letais contra objetivos iranianos, segundo o governo de Teerã.

“O regime iraniano (...) busca agora mobilizar armas muito perigosas na Síria, com o objetivo de nos destruir”, declarou Netanyahu, ao fim de uma cúpula trilateral em Nicósia com o presidente cipriota, Nicos Anastasiades, e o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras.

Nas últimas semanas, Netanyahu afirmou que Israel não permitiria ao Irã se estabelecer militarmente na Síria, em guerra desde 2011.

O governo Assad acusa Israel de ter feito incursões no território sírio, especialmente em 9 e em 30 de abril, que provocaram a morte de militares iranianos e sírios. Israel não reivindicou a autoria desses ataques. / AFP e AP

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