REUTERS/Rodrigo Garrido
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'Deixem minha filha em paz', diz Bachelet sobre caso de corrupção

Jornal 'La Tercera' afirmou que caçula da presidente chilena é dona de terrenos próximos a uma mina sem licença ambiental

O Estado de S. Paulo

21 de março de 2017 | 17h24

SANTIAGO - A presidente do Chile, Michelle Bachelet, reagiu de forma exaltada após ser questionada sobre o vínculo de sua filha Sofía Henríquez com um negócio imobiliário de compra de terrenos no norte do país. "Deixem minha filha em paz, ela não tem nada a ver com isso. Essa foi uma decisão minha", afirmou a presidente em uma entrevista coletiva na segunda-feira 20. 

No domingo, o jornal La Tercera afirmou que Sofía é proprietária de uma área de meio hectare próxima a uma mina que não possui as licenças ambientais necessárias para funcionar, na região de La higuera. Segundo o jornal, a recusa em fornecer a licença poderia impactar o valor dos terrenos próximos. A mina Dominga fica a 12 quilômetros do terreno e extrairia cobre e ferro. 

"Não há nenhum negócio nisso, era algo recreativo", afirmou Bachelet, explicando que foi ela quem comprou os terrenos da área de meio hectare por cerca de US$ 10 mil e presenteou a filha. 

Escândalos. As terras foram vendidas para a presidente por sua nora Natalia Compagnon, mulher do filho mais velho de Bachelet, Sebastián Dávalos, e acusada de fraude fiscal após a compra e venda de terrenos no sul do Chile.

O caso, conhecido há dois anos, derrubou a popularidade da presidente aos índices mais baixos desde o retorno da democracia com o fim da ditadura de Augusto Pinochet (15%). Atualmente, a aprovação de Bachelet está em 23%. "Alguma coisa acontece no Chile porque transformam coisas normais em crimes", acrescentou a presidente durante a entrevista. 

As acusações do jornal chileno surgem num momento em que se discute a sucessão de Bachelet nas eleições de novembro. O ex-presidente Sebastián Piñera aparece com grande chance de se eleger.

Na sexta-feira, a Procuradoria chilena descartou fazer acusações contra Dávalos no mesmo caso de sua mulher, acusada de evasão de impostos e investigada por tráfico de influência e suborno. /AFP

 

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