REUTERS/Daniel Tapia
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Delator diz que Odebrecht pagou a vice do Equador

Segundo José Conceição dos Santos, US$ 2 milhões foram pagos em 2010 pelo retorno da construtora brasileira ao Equador e o restante, US$ 14 milhões, por 1% de todos os contratos que a empresa teve no país após sua volta

O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2017 | 18h56

QUITO - José Conceição Santos, delator da Odebrecht, assegurou que pagou subornos milionários ao atual vice-presidente equatoriano, Jorge Glas, por meio de seu tio Ricardo Rivera. Segundo Santos, US$ 2 milhões foram pagos em 2010 pelo retorno da construtora brasileira ao Equador e o restante, US$ 14 milhões, por 1% de todos os contratos que a empresa teve no país após sua volta.

“Jorge Glas e Ricardo Rivera são como irmãos siameses, se alimentam e respiram pelo mesmo corpo”, disse Santos ontem no consulado do Equador no Brasil, segundo o jornal equatoriano El Comercio.

O delator entregou na sede diplomática seu testemunho antecipado como parte das investigações pelo escândalo de corrupção da construtora no Equador. Eduardo Franco Loor, advogado de Glas, rejeitou as declarações de Santos e as qualificou de “infames”. “Ele nem permitiu perguntas dos advogados dos processados. Eu tinha várias perguntas a fazer a Santos, mas ele não permitiu”, disse o advogado, assegurando que o vice-presidente é uma “pessoa honrada”.

O delator também falou ontem de outros repasses ilícitos. Assegurou que pagou ao todo US$ 32 milhões no Equador e US$ 10,1 milhões foram entregues ao ex-corregedor Carlos Pólit para que divulgasse pareceres favoráveis. O restante do dinheiro – US$ 22 milhões – foi pago a funcionários equatorianos por meio de intermediários por cinco obras das quais a construtora brasileira participou no Equador.

O possível envolvimento do vice equatoriano em corrupção é uma das principais razões de afastamento do presidente Lenín Moreno de seu mentor e antecessor, Rafael Correa, que aposta na inocência de Glas.

Em nota, a empreiteira afirma que está colaborando para esclarecer todos os fatos relativos aos casos de corrupção envolvendo seus ex-executivos. “A Odebrecht entende que é de responsabilidade da Justiça a avaliação de relatos específicos feitos pelos seus executivos e ex-executivos. A empresa está colaborando com a Justiça no Brasil e nos países em que atua. Já reconheceu os seus erros, pediu desculpas públicas, assinou um Acordo de Leniência com as autoridades do Brasil, Estados Unidos, Suíça, República Dominicana, Equador e Panamá, e está comprometida a combater e não tolerar a corrupção em quaisquer de suas formas.”

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