Brendan McDermid/Reuters
Brendan McDermid/Reuters

Delegação da Líbia na ONU pede fim da violência a Kadafi e se emociona

A exemplo do resto da missão, embaixador Abdurrahman Shalgham deserta e Kadafi perde apoio

estadão.com.br

25 de fevereiro de 2011 | 20h35

NOVA YORK - O embaixador da Líbia na Organização das Nações Unidas (ONU), Abdurrahman Shalgham, voltou a pedir o fim da violência em seu país e pediu que o ditador Muamar Kadafi, a quem considera um "irmão", "deixe os líbios em paz". As declarações de Shalgam foram aplaudidas pelos diplomatas do órgão.

 

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Shalgham disse que "não podia acreditar" que as tropas do coronel Kadafi dispararam contra os manifestantes e afirmou que os cidadãos estavam apenas exercendo o direito de protestar. "Não é um crime dizer que se quer liberdade", afirmou o diplomata, acrescentando que a violência contra os opositores não pode continuar.

 

"Eles estão pedindo liberdade. Estão pedindo seus direitos. Eles não jogaram uma única pedra e foram mortos. Peço ao meu irmão Kadafi: deixe os líbios em paz", disse. Shalgham ainda advogou por sanções contra o ditador líbio, que está há 41 anos no poder. Fontes diplomáticas disseram que, a exemplo de sua delegação, o diplomata desertou e deixou o apoio ao coronel.

 

Ao fim do discurso, Shalgham foi abraçado pelo embaixador-adjunto, Ibrahim Dabbashi, que estava em lágrimas. Depois, ele foi cumprimentado por outros diplomatas e pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

 

 

Os embaixadores líbios na ONU são apenas alguns dos vários diplomatas e ministros que abandonaram Kadafi em repúdio à violência nos protestos. Os representantes da Líbia na Austrália, em Bangldesh, na China, na França, na Índia, na Jordânia, na Indonésia e em Portugal renunciaram aos seus cargos. Os da Áustria, do Egito e da Malásia também se mostraram contrários à violência, mas não renunciaram. O Peru cortou os laços diplomáticos com o país africano e os EUA suspenderam as atividades da embaixada líbia.

 

 

Kadafi perde apoio na própria Líbia. O procurador-geral, Abdul-Rahman al-Abbar; o ministro do Interior, Abdel Fattah Younes al-Abidi; Youssef Sawani, assessor do filho de Kadafi; e Nuri al-Mismari, chefe de cerimonial de Kadafi, deixaram seus postos. Militares, como os dois coronéis que se recusaram a bombardear protestos e desertaram em seus caças para Malta, também abandonaram o ditador.

 

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