Delegação do Conselho de Governo iraquiano chega ao Irã

Jalal Talabani, presidente rotativo do Conselho de Governo iraquiano, declarou nesta segunda-feira não acreditar que o Irã esteja por trás da violência em seu país mas comentou que militantes poderiam estar atravessando setores da fronteira precariamente vigiados, informou a Agência de Notícias da República Islâmica (IRNA). Talabani lidera uma delegação do Conselho de Governo iraquiano - indicado pelos Estados Unidos - que chegou hoje a Teerã para sua primeira visita oficial ao Irã. De acordo com a IRNA, representantes iraquianos e iranianos deverão assinar acordos políticos, econômicos e de segurança. O relacionamento entre Irã e Iraque foi muito conturbado durante as mais de duas décadas em que Saddam Hussein liderou o governo iraquiano. Atualmente, Teerã teme eventuais conseqüências da influência de Washington sobre Bagdá. "Acredito que Irã e Síria não estiveram envolvidos nos recentes atentados ocorridos no Iraque", declarou Talabani, citado pela IRNA. "A política iraniana não contempla apoio ao atentados contra o Iraque, mas isso não significa que terroristas não estejam cruzando nossas fronteiras com Irã e Síria. O fluxo pela fronteira é natural e está fora de controle." Autoridades americanas exigem que Síria e Irã se esforcem mais para evitar a entrada de militantes islâmicos no Iraque. Acredita-se que combatentes estrangeiros inspirados por uma retórica anti-EUA, soldados leais a Saddam e iraquianos revoltados com a ocupação americana estejam por trás de uma série de ataques contra soldados dos Estados Unidos, agências humanitárias internacionais e iraquianos que trabalham para o governo de ocupação. O ministro iraniano das Relações Exteriores, Kamal Kharrazi, que recebeu Talabani, foi citado pela IRNA dizendo que o Irã não pode ficar indiferente ao que vem ocorrendo no Iraque. "Estamos sempre prontos para cooperar com o Iraque. Estamos prontos para fazer o que for possível para ajudar no estabelecimento de um governo iraquiano independente", disse ele. Ainda de acordo com a IRNA, Kharrazi afirmou que o governo de seu país quer ver um Iraque livre e independente governado pelos próprios iraquianos.

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