Delegado do Bird tratou Equador como ´colônia´, diz ministro

O Equador declarou "persona non grata" e expulsou o representante do Banco Mundial (Bird), Eduardo Somensatto, porque quis tratar o país "como colônia" e se recusou a desembolsar o valor de um empréstimo aprovado previamente, afirmou na quinta-feira, 26, o ministro da Economia, Ricardo Patiño.Segundo Patiño, em um ato oficial em Quito, o BM "violou o contrato de empréstimo", ao não entregar um crédito de US$ 100 milhões "que estava previsto pelas contas públicas neste momento, o que pôs em risco a estabilidade do governo do Equador".O ministro afirmou que o Equador tinha cumprido em 2004 as "condições perversas do Bird" para obter o crédito. Mas o empréstimo não foi realizado porque o governo tomou a "decisão soberana de mudar fundos absolutamente antiéticos e antitécnicos".Os fundos, cuja regulamentação foi alterada pelo atual presidente do Equador, Rafael Correa, quando era ministro da Economia, em meados de 2005, obrigavam o país a "usar 70% dos excedentes do preço do petróleo para pagar a dívida externa privada", disse Patiño.Patiño lembrou ainda um "incidente desagradável" com Somensatto. Ele acusou o representante do Bird de ter ameaçado, em 2005, utilizar o movimento indígena contra o governo do Equador por não querer aumentar o endividamento com o Banco Mundial.A decisão, porém, "não impede as relações com outras entidades internacionais e multilaterais", esclareceu Patiño.No mesmo ato, a ministra de Relações Exteriores, María Fernanda Espinosa, afirmou que na quarta-feira o governo notificou ao Bird, em seu escritório de Quito e na central de Washington, que seu representante tinha 72 horas para abandonar o país.Fontes do escritório do Banco Mundial em Quito informaram à Efe que Somensato se encontra desde a semana passada em Washington, para assistir a uma reunião, e não sabiam a data prevista para seu retorno.Em comunicado, o Banco Mundial declarou nesta sexta-feira, 27, em Washington sua vontade de "manter o diálogo no mais alto nível com as autoridades do Equador e o compromisso com a luta contra a pobreza".O presidente do Equador, Rafael Correa, repetiu as suas críticas e ataques ao Bird e ao Fundo Monetário Internacional, que responsabilizou pela "longa noite neoliberal" que, na sua opinião, empobreceu a América Latina.Recentemente, o Equador saldou todas as dívidas que tinha com o FMI, mas ainda mantém empréstimos com o Bird.

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