Delfim Netto vê risco na instabilidade política

O deputado e ex-ministro Antônio Delfim Netto avalia a situação argentina como extremamente delicada e instável. Para ele, a solução política adotada "foi a pior de todas". Ele acha que a nova moeda deverá começar a flutuar em relação ao dólar o que, na sua opinião, "mata de vez o ´currency board´", sistema adotado pelo ex-ministro da Economia, Domingo Cavallo, e que está garantido constitucionalmente, mantendo a paridade entre o peso e o dólar.O deputado acha também que o fato de o novo governo só ter 60 dias de vida cria um período de extrema volatilidade política e "os argentinos deveriam escolher um novo presidente em uma semana". A fragilidade desse governo provisório, disse Delfim Netto, levou o governo a não "procurar encrencas" com o setor privado. Foi esse o principal motivo que sustentou a defesa da manutenção da paridade entre o peso e o dólar. Segundo ele, a decisão de adotar uma nova moeda, que reúne todas as outras moedas federais e provinciais - como os lecopes e patacones - significa que não haverá quebra dos contratos privados e o novo governo faz o que pode agora, com o pouco apoio político que tem. Mas assume todas as dívidas do setor público, a exemplo do que ocorreu no Brasil, quando o governo centralizou todas as negociações da dívida pública. Delfim Netto continua apostando na desvalorização, já que a decisão de colocar uma nova moeda em circulação, "é só um pequeno expediente", adotado sob a pressão do momento de impasse político e caos social. Para desvalorizar, entretanto, o governo precisaria gozar de um "tremendo respaldo popular", o que não é o caso. O deputado comentou ainda o fato de a população continuar preferindo a paridade, segundo revelam pesquisas. Ele argumentou que tanto os que idealizaram o sistema como o povo defendem a manutenção, porque certamente a desvalorização provocará sofrimentos e prejuízos. No Brasil, argumentou, os idealizadores do sistema de câmbio controlado também eram contra a flutuação, mas "felizmente, aqui foi o mercado que obrigou à desvalorização, o que não acontece na Argentina". Outro comentário de Delfim Netto é que, ao contrário dos argentinos, os brasileiros já estavam convencidos de que "a política cambial brasileira estava errada". Delfim lembrou que sempre esteve convencido de que o sistema cambial da Argentina não poderia ser mantido. "Eu sempre disse que isso dependeria da paciência do povo argentino com a recessão que lhe estava sendo imposta. Pois bem, agora a paciência acabou." Leia o especial

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