EFE/ Jim Lo Scalzo
EFE/ Jim Lo Scalzo

Demitido agente do FBI que trocou mensagens privadas contra Trump 

Em troca de mensagem com a amante, Peter Strzok afirma que 'pararia' o republicano antes que fosse eleito, em 2016

O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2018 | 14h55

WASHINGTON - O agente do FBI Peter Strzok, que foi retirado da investigação sobre a interferência russa nas eleições presidenciais de 2016 depois de ser revelado que trocou mensagens privadas de texto contra Donald Trump, foi demitido, disse seu advogado nesta segunda-feira, 13.

Aitan Goelman, advogado de Strzok, disse que seu cliente, funcionário do FBI (Polícia Federal americana) por 21 anos, foi demitido na sexta-feira pelo seu subdiretor direto, David Bowdich.

A medida foi tomada apesar de o escritório disciplinar ter decidido que Strzok deveria enfrentar uma destituição e suspensão de 60 dias, segundo o advogado, que descreveu a demissão como "um desvio das práticas típicas da agência". 

"Essa decisão deveria ser muito preocupante para todos os americanos", assinalou Goelman em um comunicado. 

"Uma longa investigação e múltiplas rodadas de depoimentos do Congresso não deram nenhuma pista de evidência de que os pontos de vista pessoais do agente especial Strzok tenham afetado o seu trabalho", assegurou. 

"De fato, em suas décadas de serviço, o agente especial Strzok demonstrou ser um dos principais oficiais de contrainteligência do país", acrescentou o advogado. 

+ Donald Trump dá sua 3ª versão sobre demissão de diretor do FBI

A decisão de demiti-lo, alegou Goelman, foi uma resposta "à pressão política e para punir o agente especial Strzok por seu discurso político protegido pela Primeira Emenda, e não por uma análise justa e independente dos fatos".

"É uma decisão que só produz um ganhador: os que buscam prejudicar o nosso país e enfraquecer a nossa democracia", acrescentou.

Strzok, de 48 anos, e sua amante, a ex-advogada do FBI Lisa Page, trocaram mensagens de texto durante a campanha eleitoral de 2016 nas quais criticavam Trump, então candidato republicano à presidência. 

Nesse diálogo, a advogada perguntava ao então agente se Trump chegaria a ser presidente e ele respondeu: "Não, não conseguirá. Nós o pararemos".

Strzok participou das investigações sobre o uso do e-mail da adversária de Trump nas eleições presidenciais, Hillary Clinton, e no início da investigação sobre a trama russa, liderada pelo procurador especial Robert Mueller, até que a conversa com sua amante se tornou pública e o agente foi afastado do caso.

A figura de Strzok, que ficou desprestigiada em um relatório interno do FBI divulgado em junho, foi usada em múltiplas ocasiões por Trump para atacar o trabalho de Mueller, que investiga os supostos vínculos entre a campanha de Trump e o Kremlin.

Trump aproveitou as mensagens para reforçar a sua afirmação de que a investigação é uma "caça às bruxas" política por parte de procuradores enviesados.

"O agente Peter Strzok acaba de ser demitido do FBI, finalmente. Com base no fato de que Strzok estava no comando da Caça às Bruxas (em referência à trama russa), ela terminará?", perguntou no Twitter o presidente, que pediu que a investigação sobre os e-mails de Hillary seja refeita "corretamente".

No início de julho, Strzok explicou diante de duas comissões do Congresso que tinha informações que teriam acabado com a candidatura de Trump em 2016, mas nunca passou pela sua cabeça torná-las públicas, e enfatizou que o FBI não está contaminado por motivações partidárias.

"Deixem-me esclarecer, inequivocamente e sob juramento: nem uma vez nos meus 26 anos de defesa do meu país as minhas opiniões pessoais impactaram nas ações oficiais que executei", enfatizou o agente ao ser questionado pelos congressistas da Câmara dos Deputados. / AFP e EFE 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.