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Democracia é mais forte no Chile que na Bolívia

Os dois países latino-americanos foram os mais bem-sucedidos em aproveitar a alta no mercado de commodities do início do século para reduzir a pobreza e ampliar a classe média

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2019 | 01h30

Chile e Bolívia foram dois dos países latino-americanos mais bem-sucedidos em aproveitar a alta no mercado de commodities do início do século para reduzir a pobreza e ampliar a classe média. Entre 2003 e 2018, cresceram em média 3,9% e 4,7% ao ano, respectivamente. No Chile, o PIB per capita foi de US$ 12.847 a US$ 25.700. Na Bolívia, de US$ 3.761 a US$ 7.842. Tornaram-se, a despeito do êxito na economia - ou, talvez, em virtude da frustração que o sucedeu -, palco de convulsões sociais.

A resposta do Chile tem comprovado o vigor da democracia para resolver conflitos. Depois de 28 dias de tensão, o Parlamento chileno chegou a um acordo sobre o plebiscito que convocará uma nova Constituinte, com o objetivo de atender às demandas sociais. Na Bolívia, ao contrário, a sucessão do ex-presidente Evo Morales demonstra os limites dos atalhos aos ritos e trâmites democráticos.

Evo desafiou o resultado do plebiscito de 2016 para concorrer à presidência pela quarta vez e, abandonado pelos militares e pela polícia, viu-se forçado a renunciar sob pressão das ruas, diante das evidências de fraude nas eleições de 20 de outubro. Sua sucessora, Jeanine Áñez, não obteve reconhecimento da maioria na Assembleia Legislativa, pois mais de dois terços dos parlamentares pertencem ao partido de Evo. As novas eleições que ela pretende convocar serão disputadas em meio a uma batalha sobre a legitimidade da renúncia, com interferência inevitável em qualquer novo governo. Desde 2002, a Bolívia assistiu a três renúncias em circunstâncias políticas dramáticas. Nenhum presidente eleito transferiu pacificamente o poder a um sucessor.

Para Entender

A luta de poder na Bolívia: Jeanine Áñez no gabinete contra Evo Morales exilado no México

Presidente interina precisa obter reconhecimento, organizar eleições, além de estabilizar e reconstruir o país após semanas de protestos violentos; enquanto isso, ex-mandatário promete manter papel ativo na política boliviana

No Chile, em contrapartida, esquerda e direita entregaram o poder ao adversário três vezes no período. Desde a redemocratização, em 1990, todos os presidentes cumpriram o mandato. Mais que na economia, a verdadeira lição a aprender com o Chile está na democracia.

Expansão

‘Megalo-MoMA’ repete erro do Museu de Orsay

Em três décadas, o MoMa, em Nova York, sofreu três expansões, a última inaugurada em outubro. De 1,5 milhão de visitantes ao ano em 2002, a capacidade aumentou para até 3,5 milhões, em 66 mil metros quadrados de salas distribuídas por três andares do novo prédio – 30% a mais que o espaço anterior. O “Megalo-MoMa”, apelido dado pelo crítico Martin Filler, repete o erro do parisiense Museu de Orsay: maior conexão entre as galerias para dar fluxo à visitação. O resultado, diz Filler, é a desorientação do visitante, que passa batido por obras-primas.

Doações

Oligarcas russos voltam a financiar Tories

Durante a gestão de Theresa May, sobretudo após o envenenamento do espião Serguei Skripal em Salisbury, em março de 2018, as doações de russos aos conservadores britânicos pareciam ter secado. Mas Boris Johnson voltou a beber na fonte. Nos 12 meses anteriores a outubro, os tories receberam £ 490 mil de oligarcas russos, 30% acima do período anterior, revela o OpenDemocracy.

Elites

A influência republicana na política externa

Republicanos e corporações influem mais na política externa americana que democratas e organizações de defesa dos cidadãos, segundo análise de pesquisadores da Universidade de Michigan com base em 1,8 mil propostas para a área desde 1981. “O que parece ser a influência de indivíduos ricos reflete mais as elites políticas incrustadas em multinacionais, consultorias e governo”, dizem.

Investimentos

O fim da boiada dos unicórnios digitais

O tombo de US$ 40 bilhões nos investidores da WeWork foi um ultimato aos unicórnios em Wall Street. Uber, Lyft, Dropbox e vários outros já valem menos do que quando lançaram ações. A oferta inicial do WeWork foi abortada antes do desastre. O mico ficou com os investidores institucionais. Levará um tempão até que os prodígios digitais voltem a ter uma boiada como a que o fundador do SoftBank, Masayoshi Son, ofereceu a Adam Neumann, CEO do WeWork, quando assinou um cheque de US$ 4,4 bilhões depois de 12 minutos de conversa.

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