Democrata deve explorar avanços para elevar aprovação

Presidente fará seu próximo discurso do Estado da União de olho nas pesquisas e nas eleições de novembro

Renata Tranches, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2014 | 02h02

Com baixa aprovação, Barack Obama tentará, em seu quinto discurso do Estado da União, converter em capital político as vitórias modestas do início do seu segundo mandato. Segundo analistas políticos ouvidos pelo Estado, os problemas ligados à implementação do Obamacare, derrubaram a popularidade do líder. Mas, na opinião deles, o presidente pode reverter o quadro mostrando quais de suas políticas deram certo, especialmente na economia.

Tradicionalmente, a principal mensagem presidencial do ano, o discurso de terça-feira será uma chance para Obama preparar o caminho para o Partido Democrata, nas eleições legislativas de novembro. Estará em jogo a maioria no Senado, que este ano renovará 33 cadeiras. Análises apontam que o mapa eleitoral favorece o Partido Republicano. "Obama tentará mostrar que o país está melhor com as políticas apoiadas pelos democratas na Câmara e no Senado", disse o professor de ciências políticas da Universidade Columbia Robert Shapiro.

A vitória será determinante para o futuro do presidente. A oposição já domina a Câmara e, se conseguir o Senado, ficará muito mais difícil para o líder governar. Para o cientista político John Barry Ryan, da Universidade Estadual da Flórida, o mais urgente agora para Obama é impedir que sua aprovação continue caindo. "Ele terá de lembrar as pessoas o que elas gostam sobre ele e assim, quem sabe, avançar suas propostas."

Na última pesquisa do Instituto Gallup, divulgada quinta-feira, a média de aprovação do governo Obama no primeiro ano do seu segundo mandato foi de 45,8% - dois pontos porcentuais a menos do que no ano anterior e uma margem um pouco melhor do que sua pior média, de 44,4%, em 2011. Dados ruins nesta altura do mandato, sublinhou o instituto, são normais. Mas em uma perspectiva histórica, explicou o Gallup, a aprovação do quinto ano de Obama está entre as mais baixas e é comparada à de George W. Bush - 45,7% - no mesmo período.

Uma estratégia para o presidente, na avaliação de Shapiro, é a de apegar-se aos números da economia, especialmente do desemprego, que em 2013 caíram de 7,9%, em janeiro, para 6,7%, em dezembro. O colunista do National Journal Norm Ornstein explicou, em artigo publicado quarta-feira, que para chegar a esses números, o presidente conseguiu uma coalizão bipartidária para apoiar uma série de ações, que Ornstein chamou de "pequenas vitórias". Entre elas, o incentivo aos empresários para novas contratações e um programa de aprendizagem para desempregados.

Apesar de seus problemas de implementação, a reforma da saúde também é um tema que "ele deveria descrever como algo que está funcionando", avaliou Shapiro. Segundo Ryan, a dificuldade de outros presidentes no passado de lidar com a reforma da saúde dá o mérito histórico para Obama. Em curto prazo, no entanto, ela ainda é um problema. "Isso o colocou numa posição muito ruim. A única coisa que se ouve falar por aqui é sobre os problemas de implementação", explicou Ryan.

Os desgastes para o presidente agravaram-se na segunda metade de 2013. No fim de junho, veio à tona o escândalo de espionagem, quando o ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) Edward Snowden revelou a extensão do programa de vigilância do governo de cidadãos e líderes estrangeiros.

Na sequência, vieram os problemas com o Obamacare, em outubro, primeiro mês de inscrição ao programa. A vantagem, segundo Ryan, é que o quadro não é melhor para a oposição - o apoio do presidente não migrou para os republicanos. "A situação (de Obama) não é crítica. O problema é que ele não tem plateia."

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