Democrata é pressionado a rever atos da era Bush

O presidente dos EUA, Barack Obama, está sendo submetido a novas pressões para intensificar as investigações dos programas de segurança da era George W. Bush, apesar dos riscos políticos que isso pode implicar. Representantes do Partido Democrata pediram ontem que se apure como foi possível impedir que um programa de combate ao terrorismo chegasse ao conhecimento de líderes do Congresso, por ordens do vice-presidente Dick Cheney. No fim de semana, Obama disse que pediu a sua equipe para averiguar o assassinato em massa de prisioneiros, no Afeganistão, por forças locais aliadas dos EUA, quando o regime taleban foi derrubado. Segundo o jornal New York Times noticiou no sábado, o governo Bush bloqueou as investigações do caso. Além disso, o secretário de Justiça, Eric H. Holder Jr., nomeará em breve um promotor para apurar se os prisioneiros na campanha contra o terrorismo foram torturados. Depois que a divulgação de um relatório sobre escutas telefônicas ordenadas pela Agência de Segurança Nacional mostrou, na sexta-feira, que nos anos Bush existiam inúmeros programas secretos de vigilância, os democratas exigiram mais informações. Há, portanto, quatro frentes em que o aparato da inteligência se encontra sob investigação. E esse é o tipo de questão que pode desviar as atenções de Obama de suas prioridades - a recuperação da economia, a reformulação do sistema de saúde e a solução dos problemas da energia e do clima -, algo que a Casa Branca quer evitar. Uma série de investigações poderia exacerbar divisões partidárias no Congresso, em um momento em que o governo Obama busca a aprovação para seus ambiciosos planos de política nacional. As controvérsias relativas à segurança nacional da época de Bush "certamente contribuiriam para desviar suas atenções do que ele pretende fazer", disse Martha Joynt Kumar, professora de Ciências Políticas da Universidade Towson, que estuda a presidência. "Ele quer falar sobre o presente e não sobre o passado." O presidente deve enfrentar ainda a crescente pressão para que funcionários do governo Bush sejam responsabilizados pela aprovação de métodos que o próprio Obama definiu como tortura. Até o meio do ano, a Comissão de Ética do Departamento de Justiça deverá emitir um relatório sobre os ex-funcionários que apresentaram opiniões legais para justificar métodos brutais de interrogatório. Além disso, uma investigação criminal sobre a destruição pela CIA de fitas que mostravam torturas continua em andamento e vários ex-funcionários da agência foram convocados para depor .* Scott Shane é comentarista político de ?The New York Times?

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