Michael M. Santiago/Getty Images/AFP
Michael M. Santiago/Getty Images/AFP

Eleição na Geórgia: Warnock vence e democratas se aproximam de controle do Senado

Reverendo de 51 anos é o primeiro negro eleito senador pela Geórgia; Com 98% das urnas apuradas, democrata Jon Ossoff lidera corrida pela 2ª vaga ao Senado contra republicano David Perdue

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2021 | 04h31
Atualizado 07 de janeiro de 2021 | 17h01

WASHINGTON - Após dar a vitória a Joe Biden nas eleições presidenciais do ano passado, a Geórgia está a um passo de garantir ao Partido Democrata o controle do Senado americano. Com 98% dos votos apurados, segundo levantamento da Associated Press, os democratas já garantiram uma das duas vagas em disputa no Estado, com a vitória do reverendo Raphael Warnock, de 51 anos, e lideram a disputa pela segunda vaga por uma margem mínima de votos. A disputa pela segunda vaga, ainda de acordo com a projeção da mesma agência, está em aberto.

Warnock, que é pastor na Igreja Batista Ebenezer - templo religioso que já foi dirigido por Martin Luther King -, venceu a senadora Kelly Loeffler, tornando-se o primeiro negro a ser eleito senador pelo Estado, que historicamente é um reduto conservador nos EUA. Desde 2000 a Geórgia não elegia um candidato democrata ao Senado.

"Esta noite, mostramos que com esperança, trabalho árduo e pessoas ao nosso lado, tudo é possível", disse Warnock a seus apoiadores em um discurso virtual transmitido por várias mídias. Sua oponente ainda não admitiu a derrota. De acordo com a projeção da AP, o reverendo venceu a adversária com vantagem de cerca de 50 mil votos.

A disputa pela segunda vaga ao Senado segue mais apertada. Às 06h30 desta quarta-feira, a apuração apontava liderança do também democrata Jon Ossoff sobre o atual senador David Perdue. A diferença de votos entre eles, contudo, é mínima: 50,1% a 49,9%. Também de acordo com os dados da AP, a vantagem de Ossoff é de menos de 13 mil votos.

Caso a vitória de Ossoff se confirme, os democratas vão assumir as rédeas do Senado - controlado pelos republicanos no momento - o que facilitaria os dois primeiros anos de governo de Joe Biden, uma vez que seu partido já tem maioria na Câmara, presidida pela deputada Nancy Pelosi.

Ao contrário da Câmara, no entanto, uma vitória dos dois democratas na Geórgia não garantiria maioria ao partido no Senado. Em número de representantes, os dois partidos ficariam empatados, com 50 cadeiras cada. Acontece que, em caso de empate em alguma votação, o voto de desempate seria da vice-presidente eleita, Kamala Harris. Pela legislação americana, o vice-presidente também ocupa o cargo de presidente do Senado.

Neste cenário, Biden teria muito mais facilidade em sua relação com o Legislativo, tirando do partido Republicano a possibilidade de barrar qualquer nome indicado aos gabinetes da presidência, bem como facilitando a aprovação de projetos prioritários do governo que necessitem de aprovação por maioria simples.

Trump acusa 'nova fraude' na Geórgia

Assim como aconteceu nas eleições presidenciais, o presidente Donald Trump acompanhou o processo de apuração em tempo-real, comentando a evolução da contagem em suas redes sociais. Mais uma vez, Trump atacou a idoneidade do processo eleitoral americano, acusando uma "nova fraude" na Geórgia.

"Aconteceu de encontrarem outras 4 mil cédulas de votação no condado de Fulton. Lá vamos nós", escreveu o presidente no Twitter. A rede social marcou a publicação de Trump com uma tag de alerta, informando aos usuários que a afirmação não tem base em nenhuma evidência.

No domingo, as acusações de fraude eleitoral do presidente voltaram ao noticiario após a revelação de uma ligação em que Trump pressiona o secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, sobre o resultado da eleição presidencial no Estado. Na gravação, divulgada primeiramente pelo Washington Post, Trump chega a citar o condado de Fulton, afirmando que teve acesso a informações sobre manipulação de votos no local.

Em comício na Geórgia em apoio aos candidatos republicanos, Trump usou o palco para mais uma vez expressar suas queixas sobre o resultado da eleição presidencial, atacando inclusive a transferência pacífica de poder. Em uma aparição em que deveria reforçar as candidaturas de David Perdue e Kelly Loeffler, o presidente transformou o encontro em uma palestra cheia de teorias da conspiração, rumores, afirmações não comprovadas e ataques pessoais contra democratas, a mídia e funcionários republicanos da Geórgia.

A retomada das denúncias de fraude eleitoral por parte de Trump ocorre na reta final de seu mandato, no que parece um último esforço para se manter no poder. Além de tentar evitar a derrota republicana na Geórgia, Trump também espera que o Congresso não confirme a decisão do Colégio Eleitoral que leva Joe Biden a presidência - um ato simbólico, que costuma ocorrer como mera formalidade.

Inflamados pela retórica agressiva do presidente, apoiadores de Trump estão reunidos em Washington nesta quarta-feira, 6, numa tentativa de reverter a derrota nas urnas. Vários grupos se reuniram em um movimento batizado nas redes sociais de "Stop the steal" (parem o roubo, em tradução livre). O Congresso se reúne para a confirmação do resultado eleitoral hoje./EFE, NYT, WP, AP

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