Democrata se afasta de Obama em Delaware

Apesar de consolidar uma candidatura sem ligação com a Casa Branca, Chris Coons divide palanque com presidente e vice para arrecadar fundos

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2010 | 01h00

O presidente Barack Obama e o vice-presidente Joe Biden deram um reforço especial à candidatura do democrata Chris Coons por uma vaga no Senado pelo Estado de Delaware. Na sexta-feira, os três dividiram o palanque para arrecadar fundos para as duas últimas semanas da campanha. Dias antes, porém, o candidato havia consolidado sua imagem de democrata não alinhado às posições do governo.

"Ouvi, em todo momento, a frustração dos eleitores de Delaware com Washington e com as autoridades eleitas, que colocaram sua estreita agenda partidária à frente do bem do país e estão fazendo pouco para ajudar os milhões de americanos desempregados, em risco de perderem suas casas ou ansiosos sobre seu futuro", afirmou Coons, no debate de quarta-feira, na Universidade de Delaware.

"A falta de consenso partidário em Washington tem implicações reais para nós. Há mais de 35 mil trabalhadores desempregados em Delaware e 3 mil famílias enfrentaram a perda de suas casas por não pagar o financiamento imobiliário este ano."

A posição levemente crítica não constrangeu Coons ao em receber Obama e, principalmente, Biden, um experiente político de Delaware cuja cadeira vaga no Senado ele espera ocupar. Ambos os convidados tiveram o cuidado de não tocar no nome de Christine O"Donnell, candidata republicana ao Senado que é financiada pela direita radical do partido, o Tea Party.

"Acho que, mesmo que Mike Castle tivesse ganhado as primárias, Chris Coons ainda seria o próximo senador", afirmou Biden, referindo-se ao experiente político que perdeu a escolha interna do Partido Republicano para Christine.

A tentativa de desvincular sua imagem da de Obama é um fenômeno espalhado entre os democratas nos EUA. Muitos candidatos às eleições legislativas do dia 2 cuidadosamente pediram à Casa Branca para manter-se distante de seus territórios. Outros preferiram abertamente atacar o governo Obama. O próprio presidente, em junho, reuniu líderes do partido no Salão Oval para dizer que não pretendia atrapalhar as campanhas locais com sua presença.

Na sexta-feira, em Delaware, Obama acentuou seus ataques aos republicanos, que avançam nas pesquisas como prováveis detentores da maioria das cadeiras do Senado. "Se eles ganharem as eleições, perseguirão a mesma agenda que havia antes da minha posse. E nós sabemos o que é essa agenda: você corta impostos, especialmente para milionários e bilionários, elimina as regras para favorecer interesses especiais e, então, deixa a classe média se virar", afirmou o presidente.

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