Doug Mills/The New York Times
Doug Mills/The New York Times

Democratas abrem processo contra campanha de Trump, seu filho, genro, Rússia e Wikileaks

Documento acusa o grupo de "traição sem precedentes" contra os EUA; ação corre em tribunal federal de Nova York

O Estado de S.Paulo

20 Abril 2018 | 17h19

NOVA YORK - O Comitê Nacional Democrata (DNC) processou a campanha do presidente Donald Trump, seu filho, seu genro, a Federação Russa e a organização Wikileaks nesta sexta-feira, 20. O argumento é de que o grupo conspirou para ajudar Trump a vencer a campanha presidencial de 2016 por meio da invasão de computadores do DNC e o roubo de dezenas de milhares de e-mails e documentos.

A ação foi aberta no tribunal federal de Manhattan e exige a reparação por danos não especificados e uma ordem para evitar outras interferências nos sistemas dos computadores do comitê. "Durante a corrida presidencial de 2016, a Rússia lançou um ataque total contra nossa democracia e encontrou na campanha de Donald Trump um parceiro ativo e disposto", disse o presidente do DNC, Tom Perez, através de um comunicado. Ele chamou a ação de "traição sem precedentes".

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O processo ainda afirma que Trump e seus associados tinham relações com a Rússia e oligarcas russos. Segundo o documento, o "ataque descarado à democracia americana" começou com a invasão aos computadores e sistemas telefônicos do DNC e a conspiração permitiu à Rússia avançar em seus próprios interesses e apoiar o atual presidente americano.

A ação também acusa Trump de se comunicar secretamente com a WikiLeaks, dizendo que o filho do presidente, Don Jr., recebeu uma senha para acessar um dos documentos roubados. Além disso, o genro do presidente, Jared Kushner, é acusado de ter sido parte da conspiração como assessor sênior na campanha e um dos responsáveis pela tomada de decisões durante a corrida eleitoral.

O processo afirma que Kushner começou a controlar todos os esforços sobre o uso de dados para a campanha em junho de 2016. Dentre as primeiras ações tomadas nesse sentido, ele comandou o estabelecimento de um "data hub" com cem funcionários em San Antonio, no Texas, e contratou a Cambridge Analytica.

"A conspiração constituiu um ato de traição antes inimaginável: a campanha do candidato presidencial de um partido importante, aliado a uma potência estrangeira hostil para reforçar sua própria chance de conquistar a presidência", alegam os democratas no processo. "E, na realização deste esforço, os réus disseminaram documentos roubados do DNC em violação às leis dos Estados Unidos, assim como às leis do Estado da Virgínia e o Distrito de Columbia. Sob as leis desta nação, Rússia e seus parceiros conspiradores devem responder por essas ações." / AP

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