Democratas acabam com farra de candidato-humorista

Anticandidatura reuniu mais de 1 milhão de simpatizantes em site da internet

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

04 de novembro de 2007 | 00h00

A candidatura mais meteórica da campanha presidencial americana chegou ao fim na quinta-feira, depois de breves 17 dias, para a tristeza de milhares de fãs e eleitores. O comediante Stephen T. Colbert - o mais popular "anticandidato" às eleições dos Estados Unidos - foi varrido da cédula de votação das primárias do Partido Democrata do Estado da Carolina do Sul."O Partido Democrata chegou à conclusão de que sua candidatura não era séria", afirmou Joe Werner, diretor do partido no Estado. Para muitos, a candidatura Colbert 2008 não era piada. Apesar de a senadora Hillary Clinton ainda liderar todas as pesquisas, o comediante Colbert, um dos mais populares dos Estados Unidos, é imbatível na internet.Em menos de um mês, a comunidade "1 milhão por Stephen T. Colbert", no site de relacionamentos Facebook, arrebanhou 1,38 milhão de membros. Barack Obama, que era o queridinho dos eleitores jovens, tem apenas 388 mil membros em seu "1 milhão por Barack".E Hillary está entre as mais impopulares da internet. O "1 milhão contra Hillary Clinton" tem 522.286 membros, enquanto o "1 milhão por Hillary Clinton" tem só 8,5 mil membros. No Facebook, ela tem mais comunidades de inimigos do que fãs: "Anti-Hillary Clinton para presidente" (65 mil membros), "Hillary Clinton - pare de concorrer à presidência e vá fazer um sanduíche pra mim" (18,541), "Se a Hillary Clinton for eleita presidente eu vou morar em outro país" (15 mil membros) e, por fim, "Se Hillary Clinton virar presidente, Jack Bauer (do seriado 24h) provavelmente vai matá-la."Não era só na internet que o candidato-humorista Colbert, de 43 anos, estava fazendo estrago. Na última pesquisa do Public Opinion Strategies, com dados de 18 a 21 de outubro, Hillary liderava com 40%, seguida de Obama com 19%, John Edwards com 12%, Joe Biden com 2,7% e Stephen Colbert com 2,3%.O comediante estava na frente de candidaturas consideradas sérias, como a de Bill Richardson (2,1%) - governador do Novo México que já foi embaixador na ONU -, do deputado Dennis Kucinich (2,1%), do ex-senador Mike Gravel (menos de 1%) e do senador Chris Dodd (0%). Em seu programa, o Colbert Report, o comediante imita os âncoras de direita da rede Fox News, como Bill O?Reilly, e ironiza posições ultraconservadores. O hilário Colbert cunhou expressões como "susan sarandoners" (para designar pacifistas radicais), "wikiality" (a verdade por consenso, basta escrever na wikipedia que vira verdade) e "truthiness" (verdade não embasada em fatos, mas alicerçada na emoção, como diz o presidente Bush).Colbert lançou sua candidatura no programa de seu antigo chefe Jon Stewart, o pioneiro dos programas de fake news, e logo depois fez um pronunciamento oficial no programa Meet the Press, parada obrigatória para todos os presidenciáveis.. "Depois de pensar por 15 minutos, eu ouvi o chamado (para entrar na campanha)", declarou Colbert.O comediante afirmou que convocaria o senador republicano Larry Craig - pego em flagrante tentando convencer um policial à paisana a fazer sexo oral num banheiro do aeroporto de Minneapolis - para ser seu companheiro de chapa. E afirmou que seu estilo de governo seria "nixônico" ou "nixonóide". Mas o Partido Democrata acabou com a festa, ao determinar que Colbert não poderia ter seu nome nas cédulas da primária de 26 de janeiro."Eu sei que a candidatura de Colbert era uma piada, mas o fato é que ele era o único ?candidato? que se dispunha a enfrentar a mídia tradicional e o presidente George W. Bush", diz um blogueiro.Piada ou não, a democrata Hillary Clinton e o republicano Rudy Giuliani devem estar aliviados. Segundo uma pesquisa do Rasmussen Report, numa disputa final entre Hillary e Giuliani, Colbert fica com 13% das intenções de voto (sendo 28% dos eleitores entre 18 e 29 anos). E de mais a mais, a candidatura efêmera ajudou a impulsionar as vendas do livro que Colbert acaba de lançar, "I Am America (and So Can You!)", que está em primeiro lugar na lista dos mais vendidos de The New York Times.

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