Alex Brandon/AP Photo
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Democratas acusam Trump de surtar e xingar presidente da Câmara

Segundo opositores, presidente chamou Nancy Pelosi de 'política de terceira linha' depois de sofrer derrota com votos do próprio partido no Congresso

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2019 | 21h10

WASHINGTON - A liderança democrata no Congresso acusou nesta quarta-feira, 16, o presidente Donald Trump de ofender a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, em uma reunião sobre a operação militar da Turquia contra milícias curdas na Síria. Ainda segundo os democratas, a Casa Branca impediu o acesso dos congressistas a um relatório confidencial sobre a crise. 

Pelosi disse que Trump "sofreu um surto" na reunião e começou a ofendê-la. O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, disse que o presidente chamou Pelosi de uma política de terceira linha e endereçou um ataque verbal violento e grosseiro à presidente da Câmara. "Temos que rezar pela saúde do presidente, porque foi um surto muito sério", disse Pelosi. "Não estou falando mentalmente, mas da maneira como ele lida com a verdade".

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Mais cedo, com apoio dos republicanos, a Câmara aprovou uma resolução condenando a decisão de Trump de retirar tropas do norte da Síria – o que abriu caminho para a incursão turca e a ampliação da presença militar da Rússia na região. 

“Acho que o tamanho da derrota, com dois terços dos republicanos votando contra ele, provavelmente o afetou”, acrescentou Pelosi. “Ele estava bastante afetado. E foi por isso que interrompemos o encontro. Ele não estava conectado à realidade da situação.”

“Ele foi particularmente grosseiro com a presidente, mas ela manteve a calma”, acrescentou Schurmer. “Foi um ataque verbal sem vínculo com os fatos.”

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Na moção, os deputados se opuseram à decisão de por fim aos esforços dos Estados Unidos de evitar operações militares turcas contra curdos no norte da Síria. A condenação teve o apoio de 354 deputados e foi rechaçada por apenas 60 deles. 

Os parlamentares também pediram que o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, interrompa as operações militares na região. 

Mais cedo, em encontro com o presidente italiano Sergio Matarella, Trump relativizou a aliança entre americanos e milícias curdas – responsáveis por combater o Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraque. Na visão do presidente, os curdos não são santos e provavelmente são uma ameaça terrorista maior que o EI

A posição de Trump sobre a Síria tem provocado críticas dentro de seu próprio partido, que teme os efeitos geopolíticos de uma incursão turca na Síria. Abalado por uma guerra civil que já dura oito anos, o país vive um conflito com diversas forças externas envolvidas, como russos, americanos, turcos e curdos, além de grupos leais e de oposição a Bashar Assad e terroristas ligados ao Estado Islâmico. /AP, AFP e WASHINGTON POST

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