Carlos Barria /Reuters
Carlos Barria /Reuters

Democratas antecipam briga pela maioria no Congresso 

Com a história a seu favor, oposição ainda precisa superar barreiras para voltar a comandar Câmara dos Deputados

Renata Tranches , O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2017 | 06h00

Os democratas têm os números e a história a seu favor em se tratando de eleições de meio de mandato, mas as incertezas na política americana desde a eleição de Donald Trump podem atrapalhar os planos de reconquista da maioria no Congresso. Analistas avaliam que ainda são muitas as barreiras da oposição para as eleições legislativas de 2018.

De acordo com o site PolitFact, a média, desde 1862, de cadeiras na Câmara dos Deputados que o partido do presidente em exercício perde nas eleições de meio de mandato é de 30. Democratas precisam ganhar apenas 24 para reconquistar a maioria na Câmara. 

Por um lado, o partido está ansioso para se recuperar da derrota do ano passado. Do outro, há um descontentamento generalizado com o governo de Trump, cuja aprovação está em 37% (dados de sexta-feira), segundo o instituto Gallup. 

As investigações, por exemplo, sobre as ligações entre o presidente e membros de seu governo e a Rússia podem prejudicar os republicanos em seus redutos eleitorais, na avaliação do cientista político da Universidade Cornell/Nova York Steven Kyle. “Os russos são nossos inimigos históricos e muitas pessoas se lembram muito bem de como é viver com medo da Rússia”, afirmou ao Estado. 

O descontentamento pode fazer com que muitos eleitores independentes e republicanos simplesmente não apareçam para votar em novembro do ano que vem. Isso poderia dar uma vantagem aos democratas. Tradicionalmente, eleitores do partido se mobilizam menos nas eleições de meio de mandato do que nas presidenciais. Nos EUA, o voto não é obrigatório. 

No entanto, analistas preveem que o Partido Democrata tem razões sérias para se preocupar até lá. Uma delas, segundo Kyle, é o redesenho do mapa eleitoral nos Estados – nos EUA, o partido que domina o Executivo e o Legislativo estadual pode refazer os distritos eleitorais, se aproveitando da demografia local, para aumentar o número de deputados em Washington (manobra conhecida no país como “gerrymandering”). 

Em 2010, a maioria do poder estadual estava nas mãos dos republicanos (29 Estados), o que acabou prejudicando os democratas. Um levantamento do Washington Post explicou que, em toda a história recente, os republicanos refizeram os mapas eleitorais três vezes mais do que os democratas. 

Outro fator importante são as leis, também aprovadas em Estados cujos governos e assembleias são controlados pelos republicanos, que cercearam o voto de grupos minoritários, tradicionais eleitores democratas. 

Um levantamento do Brennan Center for Justice mostra que, a partir de 2010, essa tática ganhou força e, atualmente, pelo menos 20 Estados têm alguma lei restritiva. A mais comum é a que exige que o eleitor apresente uma identificação com foto para se registrar – considerada uma forma de cerceamento porque a principal identificação dos americanos não tem fotografia. “Essas táticas não apenas continuarão em 2018, como poderão ser expandidas”, escreveu a colunista do The Nation Natalie Reed. 

Esse fator, associado ao fato de que a candidata democrata Hillary Clinton não conseguiu empolgar os grupos minoritários, como Barack Obama, fizeram com que a participação dos negros nas eleições passadas fosse menor que a de 2012 – 12,9%, em 2012, e 11,9%, em 2016 – a primeira queda em uma década, segundo o último Censo americano.

“Não sei se o partido será capaz de recapturar esses votos”, afirma Kyle. “No entanto, quando se tem nacionalistas e supremacistas brancos sentados em escritórios ao lado do presidente, não há muita dúvida sobre em qual partido eles (negros) vão votar.”

 

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