Democratas apostam em valores como arma

Em vez de atacar Bush, partido prefere valorizar trajetória de Obama

Lourival Sant?Anna, DENVER, EUA, O Estadao de S.Paulo

27 de agosto de 2008 | 00h00

Os democratas se defenderam ontem das críticas por não terem confrontado as suas propostas com as políticas adotadas pelo governo de George W. Bush e com a plataforma do candidato republicano John McCain. Segundo eles, os discursos centrados na trajetória pessoal de seu candidato, Barack Obama, exprimem os valores que deverão decidir a eleição.O primeiro dia da convenção democrata em Denver, na segunda-feira, foi dominado por dois discursos em tom extremamente pessoal e emotivo, do senador Ted Kennedy, que sofre de tumor cerebral, e de Michelle Obama, mulher do candidato. Outros discursos também foram testemunhos sobre Obama, com quase nenhuma menção à plataforma democrata ou críticas aos republicanos."As duas coisas que aconteceram ontem (segunda-feira) à noite foram muito importantes", disse ao Estado o governador da Pensilvânia, Ed Rendell, que apoiou a senadora Hillary Clinton nas primárias. "O tributo ao senador Kennedy não foi só algo bonito. Foi um lembrete ao povo americano de que democratas como ele têm lutado por décadas para lhes trazer coisas como um serviço de saúde acessível.""Foi uma lembrança da diferença entre os dois partidos", continuou Rendell, que garante que a Pensilvânia, considerada um Estado sob acirrada disputa entre democratas e republicanos, dará vitória de 3 a 4 pontos porcentuais a Obama. "As pessoas votam para presidente não tanto por causa de propostas, mas pelo que sentem a respeito dos candidatos", analisou. "E a família do candidato é muito importante nisso."DISPUTASegundo Rendell, "Michelle tinha sido uma espécie de mistério e quase motivo de medo para alguns americanos, por ser uma profissional e uma mulher tão forte". O governador aposta: "Particularmente as mulheres se identificaram com ela, que mostrou que os valores da família Obama são os mesmos da família Rendell ou Smith."Sobre a suposta dificuldade dos democratas de fazer "campanha negativa", que teria prejudicado John Kerry, em 2004, Rendell estocou. "Os republicanos é que parecem não ter nenhum problema em fazer isso", disse"Sugiro a esses analistas que assistam os quatro dias da convenção", desafiou o estrategista político Joe Lockhart, ex-secretário de imprensa do ex-presidente Bill Clinton, respondendo a uma pergunta do Estado em entrevista coletiva. "Ontem foi muito importante ouvir Michelle Obama, ver como ela compartilha os valores de milhões de americanos." "Ao final da convenção, você terá visto muitas propostas apresentadas por democratas e pelo próprio Obama, e como elas diferem substancialmente das políticas do governo Bush", antecipou Lockhart, incluindo aí os discursos de Hillary e Bill Clinton. "Você ouvirá que McCain é muito parecido com Bush em termos de política econômica e segurança nacional." "Quem vai decidir essa eleição são as mulheres, e elas não gostam de campanhas de ódio", justificou Alice Garmond, secretária da convenção democrata. "Se nossas irmãs e vizinhas forem afastadas pelo tom da campanha, não irão votar, e precisamos que elas compareçam para eleger Obama", disse ela, durante um encontro com cerca de 700 mulheres democratas, em Denver.FRASEEd RendellGovernador da Pensilvânia"As pessoas votam para presidente não tanto por causa das propostas, mas pelo que sentem pelos candidatos. E a família deles é muito importante nisso"

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