Saul Loeb/AFP
Saul Loeb/AFP

Democratas apresentam plano de Biden que abre caminho para cidadania para 11 milhões de imigrantes

Proposta oferece possibilidade de cidadania para a maioria dos imigrantes sem documentos que estão no país, elimina restrições à imigração e expande vistos de trabalho

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2021 | 18h49

WASHINGTON - Legisladores democratas apresentaram na manhã desta quinta-feira, 18, a proposta do governo Biden para a imigração, um pacote que inclui planos para regularizar a situação de cerca de 11 milhões de imigrantes que vivem nos Estados Unidos sem documentos e a expansão de vistos de trabalho para o país.

“Estamos aqui hoje porque em novembro passado 80 milhões de americanos votaram contra Donald Trump e contra tudo o que ele defendia”, disse o senador democrata Bob Menendez, de New Jersey, em uma entrevista a repórteres. “Eles votaram para restaurar o bom senso, a compaixão e a competência em nosso governo. E parte desse mandato é consertar nosso sistema de imigração, que é a pedra angular do odioso show de terror de Trump. ”

A proposta de Biden é um passo na direção de uma das mais importantes promessas de sua campanha, a modernização do sistema de imigração do país. O projeto coloca os holofotes sobre a questão política espinhosa que Biden espera abordar, apesar dos grandes desafios políticos associados à mudança da legislação de imigração no Congresso, e chega no momento em que presidente e legisladores já estão no meio de outro grande empreendimento legislativo: a aprovação de outro pacote de ajuda ao coronavírus.

Proposta 

A nova legislação, chamada de Ato de Cidadania dos EUA de 2021, se baseia em uma proposta que Biden anunciou em seu primeiro dia de mandato. A peça central da legislação é um caminho de oito anos para a cidadania para a maioria dos 11 milhões de imigrantes indocumentados que vivem nos EUA.

Depois de passar por verificações de antecedentes e pagar impostos, eles seriam autorizados a viver e trabalhar nos EUA por cinco anos. Depois disso, eles poderiam se inscrever para um green card, o que lhes confere status permanente nos EUA e a oportunidade de obter a cidadania depois de mais três anos.

O projeto de lei tenta fazer as mudanças de maior alcance na lei de imigração em mais de três décadas. Isso eliminaria as restrições à imigração baseada na família, tornando mais fácil para cônjuges e filhos juntarem-se a seus parentes que já estão no país. E expandiria os vistos de trabalho para permitir que mais estrangeiros viessem aos EUA em busca de empregos.

Ao contrário dos esforços anteriores para revisar a imigração, a legislação não tem um grande foco no aumento da fiscalização das fronteiras. Em vez disso, o projeto adiciona recursos para processar os migrantes legalmente nos portos de entrada e investe US$ 4 bilhões ao longo de quatro anos em economias em dificuldades, na esperança de evitar que as pessoas fujam para os EUA por causa de crises econômicas e de segurança em seus países.

O senador Menendez reconheceu que seria difícil obter o apoio dos dez senadores republicanos necessários para aprovar a legislação de Biden. O Senado está dividido em 50-50 e os democratas precisarão de 60 votos para superar uma obstrução.

"Sabemos que o caminho a seguir requer negociações com os outros, mas não vamos fazer concessões de início", afirmou Menéndez, que admitiu não saber se os democratas chegarão aos 60 votos. 

A presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, comemorou a iniciativa de forma integral. "Há outros que querem fazer isso aos poucos e isso também pode ser uma boa abordagem. Isso tem de ser decidido pelo Congresso", afirmou.

A proposta não foi bem recebida pelos republicanos da Câmara. Os legisladores publicaram um comunicado no qual disseram que a reforma "vai reviver as políticas fracassadas do governo Obama-Biden e fazer com que os americanos estejam menos seguros". /NYT e AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.