Democratas assustam empresas com promessas contra o Nafta

Entidades empresariais dos EstadosUnidos se disseram assustadas na quarta-feira por causa dasameaças dos dois pré-candidatos democratas à Casa Branca,Barack Obama e Hillary Clinton, de retirar os Estados Unidos doTratado de Livre-Comércio das Américas (Nafta), caso osparceiros Canadá e México não aceitem renegociá-lo. "A retórica está se tornando mais injuriosa. Agora estãofalando em anular [o tratado]. Isso seria um desastre para osempregos norte-americanos", disse Frank Vargo, vice-presidentede políticas comerciais da Associação Nacional das Indústrias. Tanto Hillary quanto Obama disseram durante um debate nanoite de terça-feira em Ohio que os EUA deveriam se retirar doNafta, criado há 14 anos, caso Canadá e México se recusem afortalecer as regras de proteção trabalhista e ambiental, alémde alterar um artigo sobre investimentos que, segundo críticos,favorece demais os interesses corporativos. Muita gente, especialmente entre os democratas, tem aimpressão de que o Nafta levou à perda de empregos nos EUA. "Apresentei um plano muito específico sobre o que eu faria.E isso inclui dizer ao Canadá e ao México que vamos nos retirara não ser que renegociemos o núcleo dos padrões trabalhista eambiental", disse Hillary. "Acho que a resposta da senadora Clinton é a correta",concordou Obama. "Acho que deveríamos usar o martelo de umapotencial retirada como alavanca para garantir que realmenteteremos padrões trabalhistas e ambientais que sejam cumpridos." Embora os EUA tenham perdido 3 milhões de empregosindustriais desde 2000, o nível geral de empregos industriaiscresceu nos cinco primeiros anos do Nafta, que entrou em vigorem 1994, apesar de algumas fábricas terem se transferido para oMéxico, segundo Vargo. Além disso, quase todo o crescimento das exportações doCanadá e do México para os EUA nos últimos sete anos foi nossetores de gás e petróleo, e não em bens industriais, disseVargo. PROMESSAS PARA OHIO Christopher Wenk, diretor de políticas internacionais daCâmara de Comércio dos EUA, qualificou os comentários deHillary e Obama de "perturbadores" e disse que seu alvo são oseleitores de Ohio que vêem no Nafta a origem de váriosproblemas econômicos do Estado. "Acho que é preciso receber com um pé atrás muito do queeles estão dizendo agora. Nas campanhas das primárias, fala-sequalquer tipo de coisa para agradar a certos eleitorados",disse Wenk. Na opinião dele, abandonar o Nafta iria prejudicar "muitasempresas que dependem de exportações para o Canadá e o México",e que isso vale inclusive para Ohio, onde 55 por cento dasexportações vão para os países vizinhos. "Isso está bem acimada média nacional dos Estados", afirmou ele. Já Thea Lee, diretora de políticas da central sindicalAFL-CIO, que sempre defende mais proteções trabalhistas emtratados comerciais, disse que o debate de terça-feira indicaque o cenário está "definitivamente mudando". "Do nosso ponto de vista, o pessoal agora está atento amuitas dessas coisas, e certamente estaremos acompanhando",disse Lee, defendendo as ameaças de abandonar o Nafta. "Se você não coloca a saída sobre a mesa, não tem muitainfluência para fazer uma negociação a sério andar", completouLee. A Federação Americana da Agricultura disse ser contraalterações no Nafta. "No mínimo ele contribuiu com o quadropositivo das nossas exportações", disse David Salmonsen,analista comercial da entidade. Segundo ele, o Nafta cria dificuldades para determinadosprodutores, como os de tomates, na concorrência com o México,mas por outro lado beneficia os produtores de carne, grãos,laticínios e outros produtos. O Canadá e o México são os dois principais destinos dasexportações agrícolas dos EUA, que mais do que triplicaramdesde o início do Nafta e devem bater um recorde de 101 bilhõesde dólares no atual ano fiscal. Segundo Salmonsen, o discurso dos candidatos em Ohio évoltado para o setor industrial, e não para o agrícola. (Reportagem adicional de Missy Ryan)

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