Democratas avançam no Congresso

Além de vitória de Obama, projeções indicam perda de espaço republicano no Senado

Lourival Sant'Anna, PALM BEACH, EUA, O Estadao de S.Paulo

05 de novembro de 2008 | 00h00

As pesquisas e projeções pareciam confirmar ontem o pesadelo republicano: não só a eleição de um presidente democrata, mas a ampliação da maioria que o partido já possui na Câmara dos Deputados e no Senado. De acordo com dados preliminares, os democratas pareciam a ponto de ampliar sua bancada para cerca de 60 cadeiras no Senado, o que lhes permitiria evitar obstruções de votações pela minoria republicana.Projeções divulgadas ontem pela rede CNN indicam que os democratas elegeriam ontem um senador em cada um de três Estados tradicionalmente republicanos: Virgínia, Carolina do Norte e Geórgia. Nesse último, o Partido Democrata investiu pouco dinheiro em comerciais e tinha poucos comitês.A última pesquisa do instituto Gallup, realizada entre os dias 31 e 2, mostrou uma vantagem democrata de 53% a 41% nas intenções de voto para o Congresso. No Senado, que realiza eleições alternadas a cada dois anos, 35 das 100 cadeiras estavam ontem em jogo. Os democratas têm hoje uma maioria de 51 a 49. Segundo as pesquisas, eles manteriam suas cadeiras e poderiam conquistar pelo menos outras oito. Pelo menos duas delas foram asseguradas logo no início da noite: Mark Warner, em Virgínia, e John Lynch, em New Hampshire.Uma das disputadas mais acirradas foi na Carolina do Norte, entre a republicana Elizabeth Dole e a democrata Kay Hagan. Elizabeth, esposa de Bob Dole, que foi candidato republicano à presidência em 1996, foi acusada de realizar uma das campanhas mais sujas da eleição. Ela acusou Kay de freqüentar eventos organizados por ateus e chegou a divulgar um anúncio em que uma mulher simulava a voz da democrata dizendo que não acreditava em Deus. No fim da noite de ontem, a CNN projetou a vitória de Kay.Na Câmara dos Deputados, todas as 435 cadeiras estavam em disputa. Os democratas têm atualmente 235 e os republicanos, 199 (uma está vaga pela morte de um deputado). Na Câmara, a disputa mais esperada era entre a republicana Michele Bachmann e o democrata Elwyn Tinklenberg. Michele tinha a eleição garantida quando declarou a um programa de TV que era favorável a uma investigação para expor os congressistas democratas que eram "antiamericanos". No dia seguinte, Tinklenberg recebeu cerca de US$ 1 milhão em doações do país inteiro e Michele despencou nas pesquisas.Os democratas poderiam ampliar a bancada em pelo menos 70 cadeiras, segundo estimativas feitas por Nate Silver, do site Five Thirty Eight. Segundo Silver, a bancada republicana poderia ser reduzida para 163 deputados.As sondagens indicavam também um aumento do número de governadores democratas. Nos 11 Estados em que havia eleições para governador ontem, cinco favoritos eram democratas, quatro eram republicanos e dois ainda estavam indefinidos. Nas últimas semanas, diante das pesquisas que indicavam a vitória de Barack Obama e a ampliação das bancadas democratas na Câmara e no Senado, John McCain e o Partido Republicano começaram a martelar em seus comícios e programas de rádio e TV que os eleitores deviam evitar o "perigo" de os democratas "dominarem de cabo a rabo" a Casa Branca e o Capitólio. Segundo eles, os americanos ficariam sem o que chamam de "checks and balances", o sistema de pesos e contrapesos pelo qual uma maioria oposicionista no Congresso fiscaliza o governo.

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