Democratas condenam política de ataques preventivos de Bush

Legisladores democratas definiram como um fracasso a decisão do presidente George W. Bush de manter sua estratégia de ataques preventivos para proteger a segurança dos Estados Unidos. Às vésperas do terceiro aniversário da intervenção militar no Iraque, a Casa Branca assinalou que a política de ataques preventivos é um instrumento legítimo de defesa própria frente à ameaça de atentados extremistas ou ataques de um país, como o Irã. Desafio "É possível que não haja outro desafio tão grande como o Irã", destaca a nova "Estratégia Nacional de Segurança", na qual o governo de Teerã é acusado de patrocinar o terrorismo, ameaçar Israel, sabotar os esforços de paz no Oriente Médio e negar a democracia. "Se necessário for, em virtude dos princípios de defesa própria, não descartamos o uso da força antes que os ataques ocorram", diz o documento, que ressalta, no entanto, a importância do diálogo sobre o conflito armado. "Este esforço diplomático deve ter êxito se quisermos evitar o confronto", avalia. A estratégia do ataque preventivo foi a base da intervenção militar no Iraque, cujo governo, liderado pelo presidente deposto Saddam Hussein, era acusado de abrigar terroristas e desenvolver um arsenal de armas de destruição em massa. Até agora esses arsenais não foram encontrados e os Estados Unidos não conseguiram demonstrar de maneira segura que o Iraque estivesse promovendo ou auxiliando o terrorismo. Doutrina radical "É nefasto que o governo queira ressuscitar a doutrina radical da guerra preventiva", afirmou o senador democrata Ted Kennedy, um dos legisladores mais críticos da guerra no Iraque. Kennedy acrescentou que, sob qualquer ponto de vista, essa política foi "um imenso fracasso no Iraque e enfraqueceu nossa segurança". "Esta administração perigosamente incompetente é incapaz de aprender com sua própria história, e no terceiro aniversário da guerra só podemos rezar para que não volte a ocorrer", completou. Segundo o congressista democrata José Serrano, o governo Bush demonstrou com sua nova "Estratégia de Segurança Nacional" que "claramente não aprendeu muito nos últimos anos". Serrano acrescentou que por momentos "a cegueira desta administração é assombrosa". "Parece não ser consciente dos desastres que a política de ataques preventivos têm criado", disse. Segundo Charles Kupchan, professor de Relações Internacionais da Universidade de Georgetown, em Washington, ex-membro do Conselho de Segurança Nacional do ex-presidente Bill Clinton, o esforço diplomático ressaltado pela estratégia modera sua aparência beligerante. "Esse tom mais amável e moderado faz parte do objetivo do segundo mandato de Bush de reparar relações com os aliados dos EUA", afirmou. Tais relações, especialmente com a Alemanha e a França, foram enfraquecidas pela decisão do governo dos EUA de promover a intervenção militar no Iraque.

Agencia Estado,

17 Março 2006 | 05h35

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