Jahi Chikwendiu /The Washington Post via AP
Jahi Chikwendiu /The Washington Post via AP

Democratas derrotam candidatos de Trump e vencem governos de New Jersey e Virgínia

Partido coleciona ainda outras conquistas como as primeiras candidatas transgênero a ocuparem cargos eletivos

O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2017 | 17h00

WASHINGTON - O Partido Democrata dos Estados Unidos venceu na noite de terça-feira, 8, as eleições para o governo de Virgínia e New Jersey, as duas únicas neste ano, justamente na véspera do primeiro aniversário da vitória de Donald Trump nas presidenciais.

Em New Jersey, governado por Chris Christie, um dos principais assessores de Trump na sua campanha presidencial, o candidato democrata, Philip Murphy, derrotou os republicanos.

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Christie é governador do Estado desde 2010, mas desta vez não poderia concorrer a um terceiro mandato, portanto Murphy conseguiu vencer a então vice-governadora do Estado, Kim Guadagno. Com 71% dos votos apurados, Murphy obteve 55,6% dos votos, enquanto Kim ficou com 42,5%.

Na Virgína, os democratas mantiveram o governo graças à vitória do seu candidato, Ralph Northam, sobre o republicano, Ed Gillespie. A ex-candidata presidencial Hillary Clinton e o ex-presidente Barack Obama se envolveram abertamente na campanha de Northam, fazendo da eleição uma batalha entre democratas e republicanos.

Com o apuração quase completa (99%), Northam obteve 53,6% dos votos contra 45,2% de Gillespie, que tinha se afastado de Trump para mostrar um perfil moderado num Estado onde os democratas se fortaleceram nas últimas décadas. Apesar desse distanciamento, Gillespie protagonizou uma campanha marcada pela rejeição à imigração ilegal.

Em sua festa de comemoração, Northam disse a seus apoiadores que uma vitória democrata arrasadora em seu Estado enviou uma mensagem ao país. “A Virgínia nos disse hoje para acabarmos com as divisões, que não compactuaremos com o ódio e a intolerância, e para acabarmos com a política que fragmentou o país”, disse Northam.

O governador em fim de mandato da Virgínia, o democrata Terry McAuliffe, também declarou que "o medo, a divisão e o ódio não funcionaram". 

O Estado esteve no centro de uma discussão nacional sobre raça, especialmente após a organização, pelos supremacistas brancos, de uma manifestação em Charlottesville, em agosto, no qual uma manifestante contrária ao movimento foi morta. 

Relembre: Manifestação em Charlottesville termina com um morto

Mesmo diante das derrotas em Virgínia e New Jersey, Trump, que realiza uma excursão pela Ásia, afirmou que os republicanos "seguirão ganhando, até mais que antes". Essas eleições foram realizadas na véspera do primeiro aniversário da vitória de Trump nas eleições para a Casa Branca e eram  consideradas um termômetro de sua gestão.

Apesar das duas derrotas, os republicanos seguem com um poder territorial nunca antes visto, com 33 dos 50 governadores, enquanto os democratas têm 16 e o Alasca é governado por um independente. 

Diversidade. Também no Estado da Virgínia, a candidata democrata Danica Roem se tornou a primeira transexual a ser eleita legisladora nos Estados Unidos.

Segundo resultados praticamente definitivos, Danica, de 33 anos, obteve 55% dos votos, derrotando o representante republicano em fim de mandato Robert Marshall, um conservador oposto ao reconhecimento dos direitos da comunidade LGBT que se negava a tratar sua adversária como uma mulher. Marshall ocupava uma cadeira na Assembleia do Estado há 26 anos. 

Danica Roem será a primeira pessoa transgênero a ocupar uma cadeira em assembleia legislativa nos EUA, representando um pequeno distrito próximo da cidade de Manassas.  Victory Fund, organização que financia candidaturas LGBT, confirmou que a jovem será a primeira pessoa trans em uma Assembleia nos 50 Estados da União.

Danica, uma ex-jornalista, evitou trazer para a campanha a questão LGBT e apresentou uma plataforma voltada para questões locais, como os problemas de trânsito em seu distrito. "Apenas um punhado de pessoas disse (...) que não votaria em mim porque sou trans", revelou ela à agência France-Presse em outubro. 

Em Minneapolis, Andrea Jenkins tornou-se a primeira pessoa transgênero a vencer as eleições para uma cadeira na Câmara municipal. Ela sucederá Elizabeth Glidden para representar um bairro no sul da Cidade de Minneapolis. 

Nova York. Em Nova York, o prefeito democrata, Bill de Blasio, obteve uma reeleição tranquila na capital financeira americana e prometeu combater o presidente. 

De Blasio, que durante toda a campanha se apresentou como um defensor da população de Nova York diante da ameaça de Trump, recebeu 66,1% dos votos , enquanto a candidata republicana Nicole Malliotakis recebeu apenas 28,1%, após a apuração de 97% das urnas, segundo a imprensa local.

No Maine, onde Trump venceu as presidenciais no ano passado, tornou-se o primeiro Estado a expandir o programa de assistência de saúde dos EUA Medicaid por meio de uma proposição votada nas urnas. Apesar da ativa oposição do governo republicano, a medida foi aprovada com uma vantagem de cerca de 20 pontos. A vitória significa uma cobertura para cerca de 70 mil cidadãos de baixa renda do Estado. / REUTERS, EFE, AFP e Washingto Post 

 

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