Democratas distanciam-se de Obama às vésperas de eleição

Estar relacionado ao presidente americano pode ser uma desvantagem em [br]algumas regiões dos EUA

Gustavo Chacra CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2010 | 00h00

Ser relacionado ao presidente Barack Obama transformou-se em uma desvantagem em muitas disputas eleitorais nos EUA. Os candidatos democratas a governos estaduais e ao Senado mantiveram distância do presidente nos debates da noite de terça-feira. Já os republicanos faziam de tudo para lembrar os eleitores que seus rivais são do mesmo partido do chefe do governo de um país com quase 10% de desemprego que luta para voltar a crescer.

O exemplo mais claro da aversão ao nome de Obama ocorreu no debate em Virgínia Ocidental. O candidato republicano ao Senado John Raese o tempo todo ligava o presidente ao seu concorrente na disputa eleitoral. Irritado, o candidato democrata e atual governador do Estado, Joe Manchin, tentou desvincular a sua imagem da do presidente: "Lamento informar ao meu oponente que o nome de Obama não estará na cédula."

Em Nova York, o candidato democrata ao governo, Andrew Cuomo, favorito na disputa, também evitou citar o nome ou políticas recentes do presidente. O republicano Carl Paladino, próximo do Tea Party, explorou a crise econômica o tempo todo para culpar Obama e o seu rival na eleição para um dos Estados mais importantes do país.

Pesquisas indicam que esta deve ser uma das maiores derrotas dos democratas em eleições para o Congresso e os governos estaduais. Segundo pesquisa do Cook Political Report, que não tem afiliação política, cerca de 99 cadeiras da Câmara dos Deputados atualmente nas mãos dos democratas devem passar para os republicanos nas eleições do dia 2.

Os analistas são quase unânimes em dizer que o Partido Republicano deve obter a maioria da Câmara. O instituto Gallup publicou levantamento ontem dizendo que, em uma urna genérica, 48% dos eleitores votariam para os republicanos contra 43% dos democratas.

No Senado, a situação está incerta. Os democratas possuem 58 das 100 cadeiras, além de Joe Lieberman, que, apesar de independente, vota com o partido. Pesquisas indicam que a legenda do presidente deve perder as eleições na Dakota do Norte, Arkansas e Indiana, atualmente democratas. Mesmo com essas derrotas, o Partido Democrata manteria a maioria.

O problema é que em sete eleições para o Senado em Estados também controlados por democratas a disputa está acirrada e os republicanos podem vencer. Dessa forma, Obama, depois de uma ampla vitória em 2008, corre o risco de ver um cenário em que estaria minoritário nas duas Casas do Congresso.

O resultado não significa necessariamente uma derrota nas eleições presidenciais de 2012, já que Bill Clinton enfrentou uma situação parecida no seu primeiro mandato. No entanto, segundo analistas, o presidente enfrentaria muitas dificuldades para conseguir governar.

Apesar de ser persona non grata em alguns Estados, Obama vem entrando na campanha de distritos e Estados onde o voto negro e jovem influenciam no resultado. Nessas duas parcelas da população, o presidente ainda é popular. Apenas até o fim desta semana, o presidente fará pessoalmente campanha em cinco Estados da Costa Oeste. De acordo com pesquisa do Washington Post, sua presença será mais importante na disputa pelo Senado na Califórnia.

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