Democratas e republicanos tentam mobilizar bases nos EUA

A três dias das eleições legislativas nos Estados Unidos, democratas e republicanos multiplicaram neste sábado as mensagens a suas bases, enfatizando sobretudo a situação no Iraque e a economia do país, respectivamente. Embora as pesquisas indiquem que há vantagem da oposição democrata, essa diferença, em muitos casos, é extremamente apertada. É consenso entre os analistas que a participação no pleito terá um papel decisivo, ou seja, o partido que melhor conseguir mobilizar seus simpatizantes será o mais bem sucedido. Uma pesquisa publicada neste sábado pela revista Newsweek indica que 54% dos eleitores que pensam em ir às urnas votarão em candidatos democratas, enquanto 38% votarão em republicanos. Segundo esta sondagem, elaborada entre quinta e sexta-feira e que tem uma margem de erro de 3 pontos, o presidente americano, George W. Bush, conta com um nível de aprovação de 35%. Os democratas, que querem aproveitar a decepção do eleitorado com o andamento da guerra no Iraque, intensificaram neste sábado suas críticas às estratégias dos republicanos na administração do conflito, especialmente após o mês de outubro, quando mais de 100 soldados americanos morreram no país árabe. Bonança econômica Os republicanos, por sua vez, esforçaram-se em destacar a bonança econômica que, segundo eles, foi possibilitada pela redução de impostos. Bush, que faz uma viagem por dez estados dominados pelos republicanos, usou seu programa de rádio dos sábados para reforçar a campanha e as bases conservadoras de seu partido. De Englewood, no Colorado, o presidente leu ao vivo sua mensagem - normalmente gravada - e garantiu que "o principal motivo" para o crescimento da economia americana é o corte de impostos, que permitiu que "as famílias, os trabalhadores e as pequenas empresas ficassem com mais dinheiro". Segundo Bush, os democratas se opuseram a esses cortes e "estão decididos a aumentar os impostos". "Se (os democratas) ganharem o controle do Congresso, poderão fazê-lo sem mover um dedo", afirmou. "A decisão que tomarem na terça-feira terá um impacto direto em nossa economia, nas pequenas empresas que estão criando postos de trabalho e nos trabalhadores que dependem deles", acrescentou. Bush também participou neste sábado de um comício em Greeley, no Colorado, em favor da representante (deputada) republicana Marilyn Musgrave, antes de voar para seu rancho em Crawford, no Texas, para as comemorações do 60º aniversário de sua mulher, Laura Bush. Numa resposta democrata ao discurso do presidente, a candidata à Câmara dos Representantes pela Pensilvânia Lois Murphy frisou que é necessária uma nova gestão para a guerra no Iraque. "No momento em que este novo Congresso começar suas sessões em janeiro, os democratas tomarão pelas rédeas os problemas que temos. Lutaremos por uma nova direção no Iraque, a fim de mudar o rumo do presidente, de modo que nossas tropas possam, finalmente, voltar para casa", afirmou Murphy. Por sua vez, o senador democrata por Nova Jersey Bob Menéndez disse num discurso à comunidade latina nos EUA, que, enquanto os democratas lutam "por uma verdadeira estratégia" no Iraque, os republicanos escolheram "seguir o mesmo caminho fracassado do presidente". Pesquisas Estão em jogo nestas eleições as 435 cadeiras da Câmara de Representantes e um terço das 100 que compõem o Senado americano. As pesquisas prevêem que os democratas conseguirão controlar a Câmara de Representantes pela primeira vez em 12 anos. Para isso, eles precisam tomar dos republicanos, pelo menos, 15 cadeiras. As perspectivas estão mais acirradas no Senado, onde os democratas necessitam tirar de seus rivais pelo menos seis cadeiras a fim de conseguir o comando. Embora estejam em jogo 33 cadeiras nessa casa, estima-se que apenas entre sete e nove estão sendo verdadeiramente disputadas. Os ocupantes das outras devem ser reeleitos com relativa tranqüilidade. Até o momento, os republicanos ocupam 55 cadeiras no Senado, frente às 44 dos democratas e a uma de um independente. Na Câmara dos Representantes, os republicanos têm 231 cadeiras, enquanto os democratas têm 201. Nesta Casa, há duas cadeiras com independentes e duas vagas.

Agencia Estado,

04 Novembro 2006 | 22h44

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