Democratas em temas sociais, republicanos nos morais

Em um país partido entre Obama e Romney, há dilemas íntimos: eleitores que rejeitam e apoiam pontos dos dois projetos

Lourival Sant’Anna / ENVIADO ESPECIAL / JANESVILLE, WISCONSIN ,

21 de outubro de 2012 | 02h05

JANESVILLE, WISCONSIN - Se para uma grande parte dos religiosos conservadores seus valores morais se casam harmonicamente com sua visão em favor da livre iniciativa e de um papel menor do Estado na economia, há uma outra parcela que compartilha as preocupações sociais com os democratas, mas rejeita sua tolerância diante de coisas que consideram inaceitáveis, como o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

 

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Com o país dividido entre Barack Obama e Mitt Romney, essas pessoas estão internamente divididas, entre duas ordens de valores que lhes são igualmente caras. É o caso do casal Kenneth Lyons, estudante de enfermagem de 30 anos, e Justine Philippe, enfermeira de 33 anos, ambos brancos. "Com relação à saúde, estou mais próxima de Obama", disse Justine, em sua casa simples em Janesville, Wisconsin. "Num país como o nosso, todo mundo devia ter acesso à saúde - e não tem", completa Lyons. "Há uma lista de espera e é muito caro".

 

Por outro lado, eles são evangélicos, da Igreja Rocha de Deus, e não admitem o aborto. "Estamos mais próximos dos republicanos nessa área", afirmou Justine. "Nunca votamos para presidente porque não achamos que quem esteja disputando cumpre a vontade de Deus", explicou Lyons.

 

"Valores morais são muito importantes. Na Bíblia há resposta para tudo. Este país foi fundado sobre os valores da Bíblia e todos viviam melhor e sabiam o que esperar. Havia bem menos crimes. As pessoas se preocupavam mais com a comunidade". "Estamos divididos", concluiu Justine. "Há valores com os quais concordamos de um lado e do outro. Não há ninguém no meio".

 

Economia

 

Depois de ficar três meses desempregado, David Coleman, um negro de 28 anos, que antes trabalhava como telefonista, acaba de ser contratado pela General Motors, para trabalhar na sua linha de montagem em Detroit. "A economia começou a andar", comemorou Coleman. "Eu não esperava que ele mudasse tudo em um mandato, porque é preciso mais de um para resolver as coisas".

 

Mas ele tem uma razão de outra ordem para negar outra chance a Obama: "Sou cristão, da Igreja Luterana de Sion. Ele apoia casamento entre gays. Não é isso o que o Senhor quer. Cada um vive como quer. Não julgo ninguém. Mas pelo meu livro isso é errado".

 

"Obama fez muita coisa boa e ainda há muito que ele pode fazer", avaliou Aletha Cooks-Waring, de 65 anos, que mora na periferia norte de Las Vegas e também é negra e enfermeira. "Tenho dúvidas em virtude da visão dele sobre aborto. Para mim é tirar uma vida", disse Aletha, que é católica.

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