Joe Raedle/AFP
Joe Raedle/AFP

Democratas focam em imigração e controle de armas no primeiro debate do partido

Pré-candidatos apresentaram propostas para melhorar o acesso de imigrantes à educação e à saúde, e restringir o acesso a armas de fogo

O Estado de S. Paulo

14 Outubro 2015 | 08h32

LAS VEGAS - Os pré-candidatos democratas à presidência dos Estados Unidos fizeram questão de se distanciar na terça-feira das posições dos republicanos, marcados pela retórica anti-imigrante de Donald Trump, com propostas para melhorar o acesso de imigrantes ilegais à educação e à saúde, no primeiro debate do partido realizado em Las Vegas.

"Precisamos entender que nosso país é feito da chegada de novos americanos, somos uma nação de imigrantes", destacou o ex-governador de Maryland, Martin O'Malley, que fez as propostas mais progressistas sobre imigração no debate.

O'Malley, primeiro dos democratas a detalhar seu plano migratório, disse que ampliaria o alcance das ações executivas do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que beneficiam 5 dos 11 milhões de imigrantes ilegais que vivem no país, para que eles possam trabalhar e viver sem o medo da deportação.

Como governador, O'Malley impulsionou uma versão do "Dream Act" (lei que regulariza a situação de jovens imigrantes ilegais) para que os estudantes imigrantes paguem o mesmo preço pelas matrículas universitárias que o resto da população estudantil.

O'Malley defendeu a medida para todo o país, enquanto a favorita Hillary Clinton disse que preferia ver como ela está funcionando nos estados que a implantaram. "Há tanta diferença entre o que ouvimos aqui com o que os republicanos disseram", destacou Hillary, que elogiou a coragem dos jovens imigrantes ilegais.

Durante o debate, poucas foram as menções ao magnata Donald Trump, líder nas pesquisas para a indicação republicana à presidência. O empresário propõe a construção de um muro na fronteira com o México, assim como a expulsão dos 11 milhões de imigrantes ilegais do país.

"Sob minhas políticas, Donald Trump e seus amigos milionários teriam que pagar muito mais dinheiro do que estão pagando hoje", ameaçou Bernie Sanders, senador do Estado de Vermont.

Controle de armas. Hillary, Sanders e O'Malley investiram contra o poderoso grupo de pressão favorável à indústria armamentista, a Associação Nacional do Rifle (NRA, sigla em inglês) durante o debate.

Entre o público presente ao evento estavam Lonnie e Sandy Phillips, os pais de Jessica, uma das 12 vítimas do massacre de Aurora, no Colorado, que abalou o país há três anos e aumentou o debate sobre o controle das armas.

O'Malley foi o encarregado de citar a presença da família quando defendeu a necessidade de se aprovar uma nova legislação sobre armas e acabar com a forma na qual a NRA faz seu lobby no Congresso, com generosas doações aos legisladores. "É hora de todo o país se posicionar contra a NRA", destacou.

Hillary defendeu a importância de se implantar um rigoroso sistema de revisão de antecedentes para controlar o acesso às armas de fogo. Ela ainda criticou Sanders por não ter sido suficientemente duro com o tema da violência das armas e por não ter apoiado alguns projetos de lei para aumentar o controle destas durante seu mandato no Senado.

Em sua defesa, Sanders destacou as divisões que separam os que se opõem dos que são favoráveis ao porte de armas. Ele defendeu um aumento do controle durante a aquisição de armas e destacou a importância de se oferecer atendimento psicológico correto a todos os americanos para evitar que elas acabem em mãos perigosas.

Apoio. Hillary recebeu o apoio inesperado de principal adversário dentro do partido, Bernie Sanders, sobre o escândalo de e-mails, que ajudou a neutralizar um tema que tem afetado sua campanha.

Sanders disse na terça-feira que preferia se concentrar em questões políticas mais urgentes ao ser questionado sobre o uso de um servidor particular de e-mails pela rival quando ainda era secretária de Estado.

"Deixe-me dizer algo que pode não significar fazer grande política, mas acho que a secretária está certa", disse Sanders. "O povo americano está cansado de ouvir falar sobre seus malditos e-mails.”

Bastante satisfeita, Hillary respondeu: "Obrigada. Eu também", e em seguida se virou para apertar a mão de Sanders, sorrindo, enquanto a torcida vibrava.

Logo após esse momento de aproximação, no entanto, Hillary e Sanders discordaram em seus pontos de vista sobre Wall Street, capitalismo e a política dos Estados Unidos com relação à Síria, em um primeiro debate surpreendentemente agressivo entre os candidatos que, até então, vinham evitando trocar críticas diretas.

Hillary, que viu sua vantagem sobre Sanders diminuir em razão da polêmica dos e-mails, teve um desempenho positivo que pode solidificar seu status como principal candidata democrata e colocar em dúvida a viabilidade de uma possível candidatura do atual vice-presidente dos EUA, Joe Biden. /EFE e REUTERS

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