Democratas pedem a Bush que não aumente tropas no Iraque

Os dois principais líderes do novo Congresso dos Estados Unidos, controlado pelos democratas, pediram nesta sexta-feira ao presidente George W. Bush que não aumente o número de tropas no Iraque. O apelo veio no mesmo dia em que Bush deu início à reformulação no alto escalão da equipe responsável pelo Iraque, antes de definir, na semana que vem, um novo rumo para a guerra. O primeiro passo da reformulação foi a nomeação, nesta sexta-feira, de um novo vice-secretário de Estado e de um novo diretor do setor de inteligência. Mas, de acordo com informações veiculadas pela imprensa americana, o presidente avalia aumentar temporariamente o contingente americano no Iraque em até 20 mil soldados. Cerca de 3 mil militares americanos já morreram no conflito, que completará quatro anos em 2007."Adicionar mais soldados de combate só vai colocar em risco mais americanos", escreveram o líder democrata do Senado, Harry Reid, e a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, em uma carta a Bush. "Em vez de mandar mais forças ao Iraque, acreditamos que o melhor é iniciar a redisposição em fases de nossas forças nos próximos quatro a seis meses, enquanto alteramos (nossas prioridades) de combate para treinamento, logística, proteção e contraterrorismo, a principal missão de nossas forças lá", escreveram os congressistas. Numa cerimônia na Casa Branca nesta sexta-feira, Bush anunciou que o atual diretor nacional de inteligência, John Negroponte, vai assumir a posição de número 2 no Departamento de Estado. No lugar de Negroponte, ficará o almirante aposentado da Marinha Mike McConnell. A volta de Negroponte para o Departamento de Estado prenuncia um aumento na atividade diplomática norte-americana no Oriente Médio. Reforma profundaEsses são os primeiros nomes de uma reforma profunda na equipe diplomática e militar de Bush, que se prepara para anunciar uma esperada nova estratégia para a guerra no país árabe. A expectativa é de que o anúncio aconteça na próxima quarta-feira. Diante de um Congresso controlado pelos democratas e profundamente preocupado com os desfechos da guerra, Bush deve mandar mais 20 mil soldados dos EUA para o Iraque para tentar devolver a estabilidade a Bagdá, mas enfrenta oposição por parte de parlamentares e autoridades militares. As nomeações de Negroponte e McConnell ainda precisam ser confirmadas pelo Senado, mas devem ser aprovadas. "Cada um deles vai fazer um bom trabalho em suas novas posições. E é vital que eles assumam logo suas novas responsabilidades", disse Bush. A expectativa era que houvesse mais anúncios de nomes na sexta-feira. Segundo reportagens publicadas nesta sexta-feira, Bush deverá indicar o nome do almirante William Fallon para substituir o general John Abizaid na chefia do Comando Central dos EUA no Oriente Médio. Abizaid era o responsável pelas operações militares americanas no Iraque e no Afeganistão. Já tenente-general David Petraeus deve se tornar o principal comandante no Iraque, substituindo o general George Casey.RepercussõesAs reformas militares refletem uma mudança importante nos responsáveis pela guerra no Iraque. Casey, que deixará o posto alguns meses antes do previsto, vinha demonstrando restrições ao envio de mais soldados ao Iraque. Além disso, ele havia defendido um plano para transferir gradualmente a segurança no Iraque às forças de segurança iraquianas, permitindo a saídas das tropas americanas, o que acabou fracassando no ano passado diante do aumento da violência sectária. Funcionários de alto escalão do governo disseram que a escolha do general Petraeus era parte de um amplo esforço para substituir os principais comandantes americanos no Iraque ao mesmo tempo em que Bush muda sua estratégia no país do Golfo Pérsico. "A idéia é criar uma nova equipe e enviar uma mensagem clara de que nós estamos tentando uma nova abordagem", disse o funcionário.Já a escolha de Fallon causou alguma preocupação em Washington, pelo fato de dele ser da Marinha. Segundo autoridades, outro anúncio que deve ocorrer em breve é o da transferência de Zalmay Khalilzad, embaixador no Iraque, para o cargo de embaixador na ONU, no lugar de John Bolton, que nunca conseguiu apoio total do Senado e deixou o posto no ano passado. Para o cargo de embaixador no Iraque, deve ser indicado Ryan Crocker, atual embaixador do Paquistão. No ano passado, Donald Rumsfeld deixou o cargo de secretário de Defesa após a derrota republicana nas eleições de meio de mandato, em 7 de novembro. Ele foi amplamente criticado pela forma como conduziu a política americana para o Iraque. Robert Gates, que foi diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), assumiu a chefia do Pentágono.

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