Democratas querem limitar atuação das tropas no Iraque

Líderes da oposição democrata no Senado dos EUA, liderados por Carl Levin, apresentaram uma emenda para limitar a atuação das tropas americanas no Iraque, por considerar que a situação atual é "insustentável".A emenda de Levin, ao lado de outra proposta dos senadores democratas John Kerry e Russel Feingold para a retirada das tropas até julho de 2007, serão debatidas no plenário do Senado, como parte de um projeto de lei sobre as despesas para a Defesa."O compromisso interminável das forças americanas no Iraque é insustentável e está criando uma dependência que dá aos iraquianos a impressão de que sua segurança está principalmente nas nossas mãos e não nas deles", disse Levin durante uma entrevista coletiva.A presença por tempo indefinido dos soldados americanos faz com que os iraquianos prorroguem medidas como o desarmamento das milícias e a reforma das forças de segurança, acrescentou Levin.A emenda de Levin, apoiada pelos senadores Jack Reed, Dianne Feinstein e Ken Salazar, pede ao governo dos EUA que apresse a transição, para que as tropas americanas se limitem à capacitação e ao apoio logístico às Forças de Segurança iraquianas, à proteção de cidadãos e instalações americanas, e a determinadas atividades antiterroristas.Também pede que o governo do presidente George W. Bush inicie, até o fim deste ano, uma retirada em etapas das tropas que estão no Iraque, bem como apresente um plano para a contínua retirada nos próximos anos. No entanto, a medida não estabelece o número de soldados que devem voltar para casa até o final do ano, caso seja aprovada pelo Congresso.Calcula-se que cerca de 130 mil soldados americanos permaneçam no Iraque. A Câmara de Representantes rejeitou a retirada das tropas na semana passada. A medida dá prosseguimento a uma aprovada pelo Senado no ano passado, com 79 votos a favor e 19 contra, e que pede uma transição "significativa" para que as Forças de Segurança iraquianas assumam as tarefas de segurança no país."Nossa emenda não estabelece um cronograma para a retirada (das tropas americanas), mas pede o início de uma retirada escalonada este ano", disse Levin, o democrata de maior prestígio no Comitê das Forças Armadas do Senado. Segundo Levin, a política atual dos EUA - permanecer no Iraque o tempo que for necessário - só prolongará a dependência dos iraquianos da ajuda americana.Preço da guerraA invasão dos EUA no Iraque, iniciada em março de 2003, deixou um total de 2.500 soldados americanos mortos e mais de 18 mil feridos, com um custo que supera os US$ 300 bilhões. A emenda obrigará os iraquianos a se comprometerem com a melhoria da segurança em seu país, acrescentou o senador. "Contribuímos muito, tanto em sangue como em recursos, para ajudá-los", afirmou o senador Ken Salazar.Por sua vez, o senador Jack Reed disse que o governo Bush não apresentou até agora um plano para a bem-sucedida retirada dos EUA do Iraque e tem politizado o conflito. "Isso pode ser uma forma de dividir o país, mas não é uma estratégia para o êxito no Iraque", afirmou Reed.Segundo Reed, a retirada das tropas americanas reduziria as pressões do Exército dos EUA no mundo, liberaria recursos para a luta antiterrorista e aumentaria a capacidade de resposta a outros desafios globais.O líder da maioria republicana do Senado, Bill Frist, criticou a emenda de Levin por considerar que esta "ameaça a segurança nacional" dos EUA e significa "um risco inaceitável para os americanos".

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