Andy Blenkush/EFE
Andy Blenkush/EFE

Democratas têm vantagem na Califórnia

Escândalo envolvendo candidata republicana torna o partido de Obama favorito ao governo do Estado, hoje nas mãos de Arnold Schwarzenegger

Denise Chrispim ENVIADA ESPECIAL LOS ANGELES, CALIFÓRNIA, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2010 | 00h00

Com 42,7% da população de origem latino-americana, a Califórnia reforçou sua escolha pelo Partido Democrata nas eleições de 2 de novembro em razão de um escândalo mal digerido envolvendo a candidata republicana ao governo estadual e sua ex-empregada doméstica.

Pesquisa encomendada pelo Los Angeles Times e pela University of Southern California mostra que o democrata Jerry Brown tem 52% das intenções de voto para a sucessão do ator Arnold Schwarzenegger ao governo estadual. Sua oponente, Meg Whitman, ex-presidente da companhia eBay, tem 42%.

O caso da demissão de Nicandra Díaz Santillán por Whitman, para quem trabalhara como empregada doméstica de 2000 a 2009, já era conhecido pelo eleitorado. A então executiva alegara que Nicandra nunca havia mencionado ser uma imigrante ilegal no país. No dia 29, acompanhada pela promotora pública Glória Allred, a empregada apresentou à imprensa cópia de um documento enviado pelo governo americano a Whitman e seu marido, em 2003, que os informava sobre a documentação falsa da moça.

Entre eleitores latino-americanos, a vantagem para o candidato democrata aumentou de 20 para 24 pontos, entre setembro e outubro, por causa dessa denúncia. Entre as mulheres, a margem de Brown cresceu de nove para 21 pontos. Novata na política, Whitman tem se valido de sua fortuna pessoal para financiar sua campanha ao governo. Conforme registrado no Comitê Federal Eleitoral, ela aportou US$ 141 milhões.

O caso não chegou a contaminar a disputa acirrada pela vaga da Califórnia ao Senado. A senadora democrata Bárbara Boxer segue oito pontos na frente da republicana Carly Fiorina, ex-presidente da Hewlett-Packard. Entre latinos, Boxer tem 60% das intenções de voto.

América Latina. As recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sobre a relação com a América Latina poderiam favorecer a escolha de latinos para trabalhar com os democratas eleitos. Não só na Califórnia, como também na Flórida e em Nevada. Em entrevista à imprensa latino-americana, na semana passada, Obama se disse disposto a tocar sua "nova agenda" com a região, com base em conversas "de igual para igual", na segunda metade de seu mandato, que começa em janeiro de 2011. Obama, que encerrou no sábado uma viagem de campanha de quatro dias, mostrou-se complacente com a Venezuela, mas foi duro em relação a Cuba. Reiterou que os EUA somente darão mais um passo na aproximação bilateral "se tiverem certeza do compromisso de Havana com a liberdade".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.