Rick Wilking/Reuters
Rick Wilking/Reuters

Democratas tentam associar Obama a sucesso econômico da era Clinton

Estratégia é ressaltar papel do republicano Bush na crise financeira; acerto deve fortalecer Hillary para 2016

Denise Chrispim Marin, enviada especial a Charlotte, EUA,

05 de setembro de 2012 | 21h24

CHARLOTTE, EUA - A volta da era Clinton ao cenário político-eleitoral dos Estados Unidos tornou-se nesta terça-feira uma das marcas da convenção democrata. O ex-presidente Bill Clinton foi convidado por seu sucessor, Barack Obama, para emprestar à atual campanha à reeleição a memória dos tempos de prosperidade dos anos 90 e, com isso, dar grandiosidade ao discurso que o presidente fará quinta-feira à noite.

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A conta pelo apoio - passados quatro anos da disputa das primárias democratas para a corrida presidencial de 2008 - virá na forma do apoio a Hillary Clinton, hoje secretária de Estado, na eleição de 2016.

Clinton foi convidado em julho pelo próprio Obama para fazer o mais importante discurso da segunda noite da convenção democrata, em Charlotte. A reconciliação entre ambos já estava cimentada. Há meses, o ex-presidente corre o país pela reeleição de Obama, sobretudo nos Estados ainda indefinidos, levantando fundos para sua campanha. Sua presença ajudou Obama a arrecadar US$ 10 milhões de doadores apenas no mês de agosto.

O ex-presidente também atua como garoto-propaganda. Num anúncio para TV, ele sugere que a eventual eleição do republicano Mitt Romney significaria a retomada das políticas econômicas de George W. Bush. A orientação de Obama, diz ele, é um espelho da sua própria.

"Ele e o presidente Obama compartilham de uma filosofia econômica extremamente dirigida à classe média. Clinton acredita que Obama nos colocou no caminho certo", afirmou Paul Begala, conselheiro de Clinton e um dos captadores de doações.

Maureen Dowd, jornalista premiada com o Pulitzer e colunista do New York Times, conclui que Obama precisa de seu antecessor para assegurar aos eleitores desconfiados que o futuro pode ser como os anos 90, quando o déficit público era baixo, havia mais empregos no país e os dois partidos ainda conversavam.

"Em troca, Bill Clinton terá capital para assegurar que o passado pode ser o futuro, com Hillary como sucessora de Obama. Que guinada selvagem. Em vez de governar na era pós-Clinton, como esperava, Obama estaria governando na era pré-Clinton", escreveu Maureen na edição desta quarta-feira.

Hillary estava na China, em missão como secretária de Estado. Apesar dos duros ataques entre ela e Obama no primeiro semestre de 2008, Hillary foi escolhida para um dos postos mais importantes do governo, mas já anunciou que não quer continuar na posição no segundo mandato do presidente, diante de funcionários do Departamento de Estado. Chegou a declarar não querer mais nada na vida pública.

Com exceção do discurso de Obama, nenhum outro é mais esperado do que a fala de Clinton. Nem mesmo a bem-sucedida exposição da primeira-dama, Michelle Obama, tem o peso político-eleitoral do discurso de Clinton - na tentativa de associar Obama ao sucesso econômico de seus oito anos de governo, quando 22 milhões de postos de trabalho foram criados, e ao fato de ter deixado a presidência, em 2001, com um superávit nas contas públicas. Quando Bush entregou a Casa Branca a Obama, em 2009, o déficit era de US$ 410 bilhões.

Segundo assessores democratas, Obama recomendou que a palavra Deus fosse incorporada ao programa do partido e Jerusalém passasse a ser citada como capital de Israel. As omissões tinham sido criticadas pelos republicanos.

Com AP

 

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