Jim Bourg / Reuters
Jim Bourg / Reuters

Democratas tentam retomar Senado e influência sobre a Suprema Corte

Eleições gerais de novembro nos EUA definem, além do presidente, 34 novos senadores; partido aposta em popularidade de Hillary Clinton e Bernie Sanders contra republicanos para puxar votos

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

02 Maio 2016 | 05h00

WASHINGTON - Tammy Duckworth perdeu parte das duas pernas em 2004, quando pilotava um helicóptero na Guerra do Iraque. Nove anos mais tarde, ela se tornou a primeira mulher deficiente a ser eleita deputada nos EUA. Agora, a veterana de guerra nascida na Tailândia é uma das apostas do Partido Democrata para tentar retomar o controle do Senado, a Casa que tem o poder de aprovar as nomeações para a Suprema Corte.

O vencedor das eleições presidenciais de novembro terá a possibilidade de indicar ao menos um juiz ao tribunal, para a vaga aberta em fevereiro com a morte de Antonin Scalia, o mais conservador entre os nove integrantes da instituição. Mas é provável que o próximo ocupante da Casa Branca consiga nomear mais um ou dois magistrados, caso Ruth Ginsburg, de 83 anos, e Anthony Kennedy, de 80 anos, decidam se aposentar.

Isso daria ao sucessor de Barack Obama a possibilidade de moldar a orientação ideológica do tribunal que define muitas das questões fundamentais da sociedade americana, em julgamentos que têm impacto por gerações. Entre as questões que foram definidas pela Corte estão a garantia absoluta da liberdade de imprensa, o fim da segregação racial em escolas e no transporte público, a legalização do aborto e a institucionalização do casamento gay. 

O tribunal também permitiu a ampliação da influência de empresas nas eleições americanas, ao liberar suas doações em decisão de 2010, e garantiu o quase irrestrito direito dos americanos portarem armas.

Diferente do Brasil, as indicações são abertamente partidárias. Com a morte de Scalia, os oito integrantes remanescentes do tribunal se dividem entre democratas e republicanos. “Se os democratas tiverem a maioria no Senado, será muito mais fácil para um eventual presidente democrata conseguir a nomeação de juízes liberais e progressistas. Se os republicanos mantiverem o controle, será mais difícil”, disse ao Estado Alexander Keyssar, professor da Universidade Harvard.

Três meses depois da morte de Scalia, sua vaga continua aberta, em razão da recusa dos republicanos de analisarem a nomeação de Merrick Garland, feita por Obama. A oposição sustenta que a escolha deve ser do próximo presidente, a ser escolhido em novembro.

Os republicanos ganharam o controle do Senado em 2014, com a conquista de 54 das 100 cadeiras. Os democratas elegeram 44 senadores e contam com o apoio de outros 2 independentes. Apesar de estar em minoria, o partido de Obama navega em um terreno mais favorável que a oposição no atual ciclo de renovação do Senado, mas seu sucesso dependerá em grande parte da capacidade de conquistar a Casa Branca.

Votação. A ideia de que muitos americanos votam de maneira “estratégica” e escolhem candidatos de diferentes partidos para o Executivo e o Congresso é coisa do passado. Na eleição de 2012, apenas 10% dos eleitores dividiram seu voto entre as duas legendas. Os 90% restantes escolheram representantes de um único partido em toda a cédula. 

“Muitas disputas competitivas para o Senado estão ocorrendo em Estados que também serão competitivos para a presidência”, disse Kyle Kondik, do Centro para Política da Universidade da Virgínia. “Quem ganhar a presidência tende a ganhar o Senado.”

Em novembro haverá a renovação de 34 das 100 cadeiras da Casa. Os democratas ocupam 10 delas e os republicanos, 24, o que os torna mais vulneráveis. A veterana de guerra Tammy vai concorrer em Illinois com o senador republicano Mark Kirk, eleito em 2010. Candidatos democratas à presidência venceram todas as eleições no Estado desde 1992, o que a coloca em vantagem.

Wisconsin tem um cenário semelhante, que favorece o democrata Russ Feingold em sua disputa com o republicano Ron Johnson. O partido de Obama venceu seis das sete últimas eleições presidenciais no Estado. Outras cinco disputas são consideradas imprevisíveis.

Os candidatos republicanos ameaçados pelos democratas temem que o elevado índice de rejeição a Donald Trump prejudique suas chances de eleição. A média das pesquisas sobre a disputa presidencial calculada pelo site RealClearPolitics coloca o bilionário em desvantagem na disputa com os dois candidatos que competem pela indicação democrata: Trump aparece 7 pontos porcentuais atrás de Hillary Clinton e 15 pontos porcentuais abaixo de Bernie Sanders. 

Com a tendência dos eleitores de votarem no mesmo partido para todos os cargos em disputa, os números são um sinal amarelo para os republicanos.

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