Democratas vêem lado positivo na disputa entre Hillary e Obama

A longa batalha entre ospré-candidatos Barack Obama e Hillary Clinton pela vaga doPartido Democrata nas eleições presidenciais dos Estados Unidosdeixou alguns membros da legenda preocupados com apossibilidade de que o vencedor demore demais para iniciar suacampanha nacional. Outros, no entanto, vêem uma vantagem nisso caso a corridaentre os dois termine de forma amigável. Os republicanos já se decidiram pelo senador John McCain,do Arizona, para concorrer à eleição de novembro. No entanto,depois das vitórias de Hillary em Ohio e no Texas, naterça-feira, tudo indica que os democratas continuarão com suacorrida interna até o final das prévias, em junho, ou mesmo atéa convenção do partido, em agosto. A longa batalha não prejudicará ninguém e pode contribuirpositivamente se acabar antes da convenção e com o partidounido, afirmam os democratas. Mas há os preocupados com a possibilidade de que o vencedorsaia da convenção nacional ferido, financeiramente quebrado e àfrente de um partido dividido -- com pouco mais de dois mesespara concentrar-se na campanha das eleições gerais. "A única coisa que sabemos é que não temos idéia do queacontecerá. Acho que ninguém previu que íamos estar nestasituação", disse Simon Rosenberg, chefe do grupo NDN,democrata. Por enquanto, os democratas identificam vários sinaispositivos -- aumentou o comparecimento às urnas entre oseleitores democratas, a arrecadação de fundos elevou-seagudamente e a disputa entre Obama e Hillary atraiu novoseleitores e despertou muito interesse. Os dois pré-candidatos disseram que uma disputa mais longanão significará necessariamente problemas na eleição geral. "Um dos benefícios é que sairemos dela mais organizados namaior parte dos Estados do país", disse David Plouffe, diretorda campanha de Obama. Alguns democratas citam ainda a campanha presidencial dosenador John Kerry, em 2004. Os republicanos usaram o intervaloentre a vitória de Kerry nas prévias, em março, e o momento emque escolheu seu candidato a vice, John Edwards, em julho, paradefini-lo em termos negativos. "Não vejo problema com uma corrida mais longa pela partidose os candidatos aparecem nas manchetes todos os dias,encontram-se com os eleitores e aumentam sua base de apoio",afirmou o consultor democrata Erik Smith. Os republicanos, no entanto, podem acalentar a esperança deque o duelo muitas vezes acirrado entre Obama e Hillary adquiratons ainda mais negativos à medida que os dois se aproximam daspróximas prévias de peso, no dia 22 de abril, na Pensilvânia. "Essa é uma boa notícia para os republicanos", afirmou oconsultor Rich Galen, que já trabalhou com um pré-candidatorepublicano. "John McCain não precisa ficar entre os doisenquanto eles se digladiam. Ele tem apenas de tomar notas." As prévias democratas ainda precisam passar por 12 Estados,o último deles sendo Porto Rico, que vota no começo de junho.Até lá, haverá muitas oportunidades para novas reviravoltas. "Admito a possibilidade de que isso pode acabar mal. Masnão sinto isso neste momento", disse a senadora democrata MaryLandrieu. "Ainda existem chances de, nas próximas seis ou oitosemanas, um dos dois surgir como o líder inconteste dadisputa." (Reportagem adicional de Thomas Ferraro)

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